Taline Oppitz

Bolsonaro calado e o risco de censura

Ex-presidente informou que respeita as restrições; limitações frustram aliados, porém, garantem munição

As medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, na sexta-feira da semana passada, acabaram por gerar mais polêmica do que os seus efeitos práticos.

A tornozeleira eletrônica, por exemplo, que era para ser um equipamento de monitoramento, ganhou dimensões simbólicas e viralizou, na falta de melhor termo, quando o ex-presidente fez questão de levantar a barra da calça para deixá-la em evidência na visita ao Congresso e a chamou de ‘máxima humilhação’.

E, em uma linha tênue com o risco de tornar-se uma censura, a proibição do uso das redes sociais por Bolsonaro e por terceiros só trouxe “mais lenha à fogueira”, como o ditado popular.

Se o objetivo era silenciar o ex-presidente, o que se viu foi uma maior exploração midiática do fato por seus aliados e dúvidas, que acabaram por gerar diferentes interpretações das efetivas restrições e mais elementos para fortalecer o discurso de que há uma perseguição.

Ao mesmo tempo, essa mesma determinação frustrou o ato de integrantes do PL que, de forma irregular, pretendiam retomar o funcionamento de comissões na Câmara dos Deputados, infringindo o recesso parlamentar. A questão agora é por quanto tempo irá durar o silêncio de Bolsonaro.

O ingrediente fora do cardápio

Promovido pela Fiergs, o INDX, ontem, com o diretor-geral de celulose da CMPC no Brasil, Antônio Lacerda, e o presidente da Cotrijal, Nei César Manica, foi concorrido. Porém, um ingrediente não estava no cardápio oficial e se fez presente durante o almoço: o impacto do tarifaço do Donald Trump. Em algumas conversas, tópico indigesto.

RS amplia relações com Singapura

Enquanto o debate sobre o tarifaço permanece, o RS busca ampliar laços com Singapura. Eles estão de olho no arroz gaúcho. O Estado tem interesse na indústria de semicondutores. Inclusive, deve ocorrer uma missão em outubro, envolvendo o gabinete do governador, a secretaria de Desenvolvimento e a InvestRS. Nos últimos dias, a comitiva de Singapura, liderada pelo embaixador não residente Sam Goi Seng Hui, teve reuniões com representantes do governo.