Taline Oppitz

Clima e violência contra mulheres chegam ao centro do debate eleitoral

Às vésperas do início das campanhas, chuvas que castigam o RS e persistência dos feminicídios se impõem como prioridades a serem enfrentadas

Efeitos dos eventos climáticos extremos têm sido monitorado pelas autoridades
Efeitos dos eventos climáticos extremos têm sido monitorado pelas autoridades Foto : Alina Souza

*Flavia Bemfica/Interina

Quando, em uma campanha eleitoral, determinado cenário se mostra consolidado, estrategistas e articuladores dos candidatos costumam dizer que “só um terremoto” pode alterar a situação. No caso da disputa em curso no RS, a expressão já soa de mau gosto, porque o clima castiga, de novo, os gaúchos.

Mas teria mesmo que acontecer uma espécie de cataclisma para tirar da lista de prioridades os dois assuntos que solaparam todos os demais neste momento. São eles: planos e ações concretas para minimizar os impactos das chuvas. E mecanismos para combater a violência contra mulheres.

Em abril, quando a pré-campanha ‘engatou’, equipes dos postulantes ao governo do RS faziam sondagens para identificar as prioridades dos gaúchos, e se movimentar em direção a elas. Neste final de julho, elas estão dadas. Os eventos climáticos entraram na pré-campanha há duas semanas, alavancados pelo PL, depois das primeiras ocorrências, e ante a falha nos sistemas de alerta.

O PDT saiu na frente em relação ao enfrentamento da violência contra mulheres, que pauta agora também a pré-campanha do Senado. Entre os tantos fatores que o transformam em uma prioridade, dá para citar só o mais recente: ontem, em Porto Alegre, uma jovem de 17 anos virou estatística. A do 46º feminicídio em 2026 no RS.

Para ficar de olho

Os R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral destinados a 30 partidos para financiar campanhas neste ano são liberados após as siglas definirem como os valores são distribuídos entre seus candidatos, o que precisa ser aprovado em resoluções das executivas nacionais, encaminhadas ao TSE em um processo. Nele, devem constar, entre outros itens, a ata da reunião da executiva com firma reconhecida ou certificação digital e uma “prova material de ampla divulgação dos critérios de distribuição”.

Cada um no seu tempo

Após o envio dos documentos e análise, a Presidência do TSE determina à sua Secretaria de Planejamento, Orçamento, Finanças e Contabilidade, a transferência dos recursos do fundo para a conta bancária indicada pelo partido. E, à Secretaria de Gestão da Informação, a publicação dos critérios fixados. Entre siglas que têm postulantes ao Piratini, PL, MDB e PSDB já encaminharam os processos ao TSE. O PDT, até ontem à noite, ainda não.

Momento certo

O comando nacional do MDB garante que a pré-candidatura de Gabriel Souza ao governo no RS está entre as prioridades do partido neste ano. Na convenção nacional virtual da segunda-feira, 27, o presidente da sigla, deputado Baleia Rossi (SP), elogiou o pré-candidato, e minimizou o fato de ele aparecer em terceiro em diferentes sondagens eleitorais. “Tem que crescer no momento certo, senão vira aquele ‘cavalão paraguaio’, que não aguenta 10 metros de corrida. Você nos representa”, incentivou.

Quatro premissas

O MDB tem 10 pré-candidatos a governos estaduais. Dos R$ 400 milhões que receberá do Fundo Eleitoral, decidiu destinar R$ 50 milhões para candidaturas de governadores e vices, tendo como premissas: viabilidade eleitoral, reeleição de atuais mandatários, probabilidade de êxito e estratégia de crescimento de bancadas no Congresso.

APARTES

Candidatos e candidatas que lançam mão de ‘apitos de cachorro’ em suas campanhas têm duas opções. Ou assumem as consequências, ou param. Mas não dá para chamar de ovelha o que tem orelha de lobo, focinho de lobo e olho de lobo.

Veja Também