Taline Oppitz

Desafio do IPE Saúde para o governo começa agora

Desdobramentos envolvendo sindicatos de servidores devem ocorrer nos campos jurídico e político, mas não há chances de reviravolta no quadro

Foto : Ricardo Giusti

O cenário político no Estado foi tranquilo no dia seguinte à aprovação do projeto do IPE Saúde pelo plenário da Assembleia, com ampla margem de vantagem. O texto não precisa ser regulamentado e entrará em vigência em outubro deste ano. Entre as principais alterações, além do retorno da alíquota de 3,6%, está a contribuição dos dependentes, antes isentos. Desdobramentos envolvendo sindicatos de servidores devem ocorrer nos campos jurídico e político, mas não há chances de reviravolta no quadro. Apesar das críticas do funcionalismo e da oposição, à direita e à esquerda, o principal desafio do governo Eduardo Leite (PSDB) em relação ao IPE Saúde começou com a aprovação da proposta original do Executivo pelo Legislativo.

O governo e seus articuladores garantiram que a saída apresentada e avalizada era a única capaz de salvar o instituto e que ela seria de longo prazo. Pois bem. A manifestação será cobrada e a equalização é complexa. Além de tornar o IPE atrativo para os médicos, cuja tabela remuneratória não é atualizada desde 2011, evitando descredenciamentos em massa, e o retorno de profissionais, outro desafio será o de evitar que servidores com salários mais baixos acabem saindo do sistema para ingressar no SUS. O atendimento também precisa ser melhorado consideravelmente. A oposição e sindicatos não deixarão nada passar batido. O governo, por sua vez, tem convicção de que dará conta do recado e que os titulares não deixarão o sistema e permanecerão contribuindo para o instituto.