Enquanto militantes se engalfinham nas defesas de Lula e de Jair Bolsonaro, em nome das preferências políticas e ideológicas, parlamentares, em Brasília, mostram, na prática, como as diferenças podem ser deixadas de lado para preservar o status quo e seus próprios interesses. O último exemplo é a união de adversários em torno da PEC apresentada recentemente, assinada por 184 deputados, de partidos dos mais diversos espectros ideológicos, incluindo aliados de Lula e de Bolsonaro, entre eles, os líderes do governo José Guimarães (PT-CE), e da oposição Carlos Jordy (PL-RJ).
A proposta impede a aplicação de punições a ilegalidades cometidas nas eleições até a sua promulgação, o que, na prática, garante anistia e blindagem aos partidos, lideranças e parlamentares. O texto permite ainda o retorno do financiamento privado das campanhas para quitação de dívidas pendentes anteriores a 2015. A cara de pau é tamanha que o primeiro artigo da PEC estende para a disputa de 2022 a liberação de sanções aos partidos que não cumpriram a cota mínima de repasse de recursos públicos a mulheres e negros.
