Taline Oppitz

Opinião: Oposição ganha reforço, não recua e amplia tensão no Congresso

Com uma série de pautas dependendo de análise, o Congresso, até a noite desta quarta, não havia conseguido abrir o ano legislativo devido à atuação de lideranças bolsonaristas

Aliados de Jair Bolsonaro ocupam as mesas diretoras da Câmara e do Senado
Aliados de Jair Bolsonaro ocupam as mesas diretoras da Câmara e do Senado Foto : Evaristo Sa / AFP / CP

Com uma série de pautas dependendo de análise, o Congresso, até a noite desta quarta-feira, não havia conseguido abrir o ano legislativo devido à atuação de lideranças bolsonaristas, que ocupam as mesas diretoras da Câmara e do Senado.

A investida, que levou a uma escalada da tensão, visa a votação de propostas como a da anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados no 8 de janeiro. Na lista de pendências de votação, está a isenção do Imposto de Renda para os que recebem até dois salários mínimos. O projeto substitui a Medida Provisória editada em abril pelo presidente Lula e que perde a validade na próxima segunda-feira.

No fim da quarta-feira, enquanto os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), se reuniam com líderes em busca de saídas para o impasse, o movimento da oposição ganhou um apoio de peso.

A federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, que tem a maior representação no Congresso, divulgou nota apoiando a rebelião. Foi dada ainda a orientação para que seus parlamentares não registrem presença nos plenários das duas casas caso haja tentativa de realização de sessões plenárias.

Líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL), havia afirmado no início da tarde que não haveria recuo, posição que se confirmou horas depois, após reunião com Hugo Motta. “Estamos discutindo a anistia com o Motta desde a sua posse. Os parlamentares, que custam muito caro, têm o direito de se manifestar. Não exigimos aprovação, mas a votação da anistia. Não iremos recuar”, disse, em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba.

Apesar de fortes críticas à atuação da oposição, o vice-líder do governo na Câmara, Elvino Bohn Gass (PT), reconheceu que, se for votada, “há chances reais de aprovação da anistia”. O petista destacou que o Congresso não pode ceder aos bolsonaristas. “Seria uma derrota política. O Legislativo não pertence a esse grupo, que visa exclusivamente blindar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O que eles estão fazendo não representa obstrução, que está prevista no regimento, mas um sequestro do Congresso Nacional”, avaliou, durante a participação no Esfera Pública.

Motta negocia saída que minimize desgaste

Uma das possibilidades em análise para destravar a pauta no Congresso é a realização de sessão virtual. A iniciativa não é nenhuma novidade. As sessões híbridas já foram muito utilizadas e estão em vigência. A ação, porém, será interpretada como uma derrota política e falta de capacidade de comando dos presidentes das casas legislativas.

A situação será ainda mais delicada para Hugo Motta, que vem acumulando desgastes com alas distintas de parlamentares. Outra possibilidade que está sendo costurada é o ingresso, no plenário da Câmara, de Motta, acompanhado de parlamentares governistas. O clima é tenso e há ameaça inclusive de suspensão de deputados da oposição.