Não são necessárias estatísticas para mostrar que estamos perdendo a batalha contra os feminicídios, apesar das campanhas dos três poderes, dos governos estaduais e municipais e das inúmeras mobilizações para alertar sobre os brutais assassinatos de mulheres. A questão é a complexidade.
O relatório da comissão das deputadas federais, apresentado ontem, que trouxe 95 medidas urgentes para o enfrentamento da situação no Rio Grande do Sul é apenas a ponta do iceberg. Sim, faltam tornozeleiras, faltam delegacias, faltam instrumentos. Mas na verdade o que falta é mudança de mentalidade.
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Mulheres não são objetos ou propriedade. Não adianta ações ou distribuição de tornozeleiras. Isso é enxugar gelo e não funciona. Enquanto as mortas tornam-se números, deixam uma geração de órfãos, e seus casos são amontoados como mera burocracia, outros crimes seguem sendo cometidos.
Enquanto o salão da Assembleia estava lotado de lideranças de diferentes partidos e ideologias, para apresentar um diagnóstico e exigir uma reação, o corpo de uma mulher de 30 anos era encontrado em uma casa em Santa Clara do Sul, no Vale do Taquari. O suspeito do crime é o ex-namorado. Parem de nos matar!
