Polícia

Procuradora da Mulher na ALRS diz que denunciará governo do RS por “não acionamento” da rede de proteção

Deputada Bruna Rodrigues afirma que Rede Lilás não foi mobilizada em janeiro e apresentará atualização do Plano Estadual de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher

Deputada Bruna Rodrigues falou em coletiva de imprensa na ALRS
Deputada Bruna Rodrigues falou em coletiva de imprensa na ALRS Foto : Guilherme Sperafico / Especial / CP

A procuradora especial da Mulher na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), deputada Bruna Rodrigues, anunciou que irá denunciar o governo do Estado ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) por, segundo ela, não ter acionado a rede estadual de proteção às mulheres diante do aumento dos casos de feminicídios. A parlamentar afirma que a chamada Rede Lilás deixou de ser mobilizada em janeiro, período em que 11 mulheres foram assassinadas no Estado.

De acordo com Bruna, a denúncia terá como alvo o governo estadual e a Secretaria da Mulher, comandada por Fábia Richter. “Essa é uma denúncia à rede. Nós temos uma rede, hoje chamada Rede Lilás, que em janeiro não foi acionada e tivemos um mês trágico com 11 mulheres mortas. É, no mínimo, negligência”, afirmou.

A deputada também criticou a condução do tema pelo governador Eduardo Leite. “O governador fala do Rio Grande do Sul do futuro, mas futuro para quem? Essas mulheres não foram mortas, elas foram assassinadas, e essas mortes têm conexão direta com a negligência do Estado”, disse. Segundo ela, a denúncia busca cobrar explicações sobre a ausência de um protocolo emergencial e o não acionamento da rede de proteção.

Bruna destacou ainda a preocupação com a proximidade de feriados prolongados, como o Carnaval, períodos que recentemente registram aumento nos casos de violência contra a mulher. “Chegando mais um feriado, a gente entra novamente em estado de tensão. Estamos denunciando e falando por mulheres que não ocupam mais esse lugar”, afirmou. A deputada relatou ter vivência pessoal com o tema, lembrando que sua mãe foi vítima de violência doméstica por mais de 25 anos.

Mesmo com a recriação da Secretaria Estadual da Mulher, Bruna avalia que a estrutura ainda é insuficiente. Segundo ela, o orçamento destinado à pasta está aquém do necessário e sequer começou a ser executado. “A Secretaria deveria ter nascido com um orçamento em torno de R$ 60 milhões. Nasceu com R$ 18 milhões, que ainda não começaram a ser aplicados”, afirmou.

A parlamentar citou dados que, segundo ela, evidenciam a gravidade do cenário. Em sete anos de gestão estadual, foram registrados 634 feminicídios e 1.932 tentativas no Rio Grande do Sul, o que representa, em média, uma tentativa de feminicídio por dia. Em 2025, o Estado ficou na sétima posição nacional em número de feminicídios e em segundo lugar em tentativas.

Atualização do plano

Além da denúncia, a deputada anunciou que apresentará uma atualização do Plano Estadual de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. A principal proposta é a integração efetiva entre áreas como saúde, educação, assistência social, segurança pública e sistema de justiça.

“A delegacia não é a primeira porta de entrada para muitas mulheres. Muitas procuram o posto de saúde, a escola, a assistência social. A rede precisa estar integrada”, afirmou. Segundo ela, a ausência dessa articulação compromete a prevenção e a resposta do Estado.

A deputada também citou o caso de Marlei Fátima Froelick, de 53 anos, que foi morta a tiros em Novo Barreiro, no Norte do RS, após ter um pedido de medida protetiva contra o ex-companheiro negado pela Justiça. “Quando uma mulher faz tudo certo e é morta, quem falhou foi o sistema”, disse.

Para a parlamentar, cabe à Secretaria da Mulher estabelecer conexões com o Judiciário e garantir que os protocolos sejam cumpridos. A denúncia ao Ministério Público deve ser formalizada em breve.

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