Como esperado, ficou para esta quarta-feira o desfecho do julgamento, pela primeira turma do Supremo, da denúncia que deve tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras sete pessoas. A sessão, marcada para as 9h30, deve começar com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes.
O primeiro dia foi marcado pela presença de Bolsonaro, pelas manifestações do procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos advogados de defesa, que sustentaram a falta de provas contra seus clientes, e por uma sucessão de rejeições de questões preliminares. Entre elas, as relativas à competência da Corte e à anulação da delação de Mauro Cid.
Em certo momento, Moraes disse que aproveitaria para esclarecer “notícias fraudulentas” e “fake news”. “Aproveito para desfazer uma narrativa totalmente inverídica de que o Supremo estaria condenando velhinhas com a Bíblia na mão, que estavam em um domingo ensolarado, passando pelo Supremo, pelo Congresso e pelo Planalto. Nada é mais mentiroso do que isso, seja porque ninguém lá estava passeando, seja pelas condenações”, disse.
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O ministro fez, então, uso de gráficos. Ou seja, literalmente desenhou. De acordo com os dados, das 497 pessoas já condenadas quase 70% são homens, apenas 36, ou 7%, têm entre 60 e 69 anos, e sete, ou 2%, entre 70 e 75 anos.
O ministro destacou ainda que, dos condenados, metade recebeu penas privativas de liberdade inferiores a três anos, substituídas por penas restritivas de direitos. Os números destacados por Moraes visam enfraquecer os discursos e as articulações em defesa da proposta de anistia.
Em outro momento, ao comentar a atuação de milícias digitais, que de acordo com ele, atuavam naquele instante, Moraes mandou outro recado. “Não perceberam que, se até agora, não intimidaram o Poder Judiciário, não vão intimidar o Poder Judiciário, seja com milícias digitais nacionais ou estrangeiras, porque o Brasil é um país soberano e independente.”
