Taline Oppitz

Reajuste do Bolsa Família visa ativos eleitorais e evidencia preocupação

Governo Lula anuncia reforço de 15% em principal programa social, a 17 dias do primeiro turno

Lula reajusta projeto de governo faltando duas semanas da eleição
Lula reajusta projeto de governo faltando duas semanas da eleição Foto : Fabiano do Amaral

Enquanto a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) escala mais um pouco, agora com manifestações do ministro Gilmar Mendes nas redes sociais, em mais uma investida contra o colega André Mendonça, que reagiu por meio de nota, o governo Lula anunciou, nesta quinta-feira, o reajuste de um de seus principais programas sociais: o Bolsa Família.

Em movimento que claramente visa impactos eleitorais e evidencia preocupação da campanha petista, que até aqui é a principal prejudicada com a combalida credibilidade da mais alta Corte do País, o governo reajustou os valores liberados por meio do programa em 15%, a 17 dias do primeiro turno.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o impacto será de R$ 5,8 bilhões neste ano, a partir de outubro, e de R$ 22 bilhões em 2027. O ministro destacou que há espaço fiscal para bancar a iniciativa nos dois exercícios financeiros. O reajuste, no entanto, não estava previsto no Projeto de Lei Orçamentária de 2027.

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Iniciativa similar foi adotada em 2022, pelo então presidente Jair Bolsonaro, que tentava a reeleição. Em junho daquele ano, Bolsonaro anunciou o reajuste do programa, que havia sido rebatizado de Auxílio Brasil, de R$ 400 para R$ 600. O novo valor começou a ser pago em agosto daquele ano, cerca de dois meses antes do primeiro turno. No caso de Bolsonaro, a iniciativa pode ter ajudado, mas não foi suficiente para garantir sua reeleição.

Caso de programa não foi o único

Não foi apenas em relação ao Bolsa Família que Lula e Bolsonaro agiram de forma similar em anos eleitorais. Em março deste ano, o governo Lula, tentando minimizar os impactos da alta do petróleo no mercado internacional, em função da guerra no Irã, lançou um pacote de medidas para conter os preços dos combustíveis. Entre elas, foram zeradas as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel até o fim do ano. Em 2022, a gestão Bolsonaro, para tentar fazer frente aos impactos da invasão da Ucrânia pela Rússia, Bolsonaro sancionou a lei que zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e o gás de cozinha até o fim daquele ano e alterou a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos Estados sobre os itens. Como perdeu a disputa, a conta bilionária ficou para Lula, vencedor da eleição.