Uma das apostas do presidente Lula e de seus articuladores na guerra explícita com o Congresso, a partir da derrubada do decreto de aumento do IOF na semana passada, automaticamente gerou reação de protagonistas do cenário.
Caso do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que se tornou pivô da crise ao pautar a votação que levaria à derrubada do decreto.
A avaliação de Lula e de seu entorno é a da necessidade de reforçar o discurso de que o andar de cima, tradicionalmente intocado, precisa entrar com sua parcela de colaboração para ampliar a arrecadação e minimizar a desigualdade social.
A derrota do governo, portanto, é o Congresso blindando os que ganham mais, em detrimento dos mais pobres. Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta segunda-feira, reforçaram a estratégia, pessoalmente.
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"Nós vamos continuar fazendo justiça social. Podem gritar, podem falar, mas chegou o momento de fazer justiça pelo Brasil", disse Haddad. A reação de Motta à estratégia do Planalto havia sido publicada horas antes, nas redes sociais.
Em um vídeo, Motta negou ter traído o governo no episódio do IOF e disse que "quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos". O deputado afirmou ainda que "a polarização política tem cansado muita gente, e que agora querem criar a polarização social".
A aposta do governo é atingir de forma mais efetiva a opinião pública visando construir mobilização popular. Até aqui, porém, o discurso fácil e simples, de parlamentares, de que o Congresso está impedindo o governo de aumentar impostos, está levando a melhor.
