O presidente Lula (PT) protagonizou um empolgado discurso marcado por forte viés político e eleitoral durante o ato de assinatura de contrato de aquisição de quatro navios, em Rio Grande. Os investimentos são de cerca de R$ 1,6 bilhão e a geração de empregos está estimada em 1,5 mil. O evento no Sul do Estado foi o segundo relativo à indústria naval em menos de dez dias. Na semana passada, o palco foi Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
“Tenho mais dois anos de mandato. Quero que comecem a fazer comparação entre o que estamos fazendo e tudo que foi feito no governo após o golpe da presidente Dilma. Não quero que acreditem em mim, quero que estudem a história do país. Teve dois momentos em que o pobre foi respeitado: com João Goulart e no meu governo”, disse Lula.
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O ato em Rio Grande integra uma série de ações que envolvem a presença do petista em diversas regiões do país, na tentativa de esboçar reação ao tombo em sua popularidade. Segundo o Datafolha, o índice está em 24%, o pior de seus três mandatos na presidência. A queda atinge inclusive bases eleitorais históricas de Lula, como o Nordeste.
A queda é resultado de uma sucessão de equívocos do governo, que passam pela comunicação, mas não estão restritos ao setor, e à eficiente atuação da oposição, apesar de práticas questionáveis. Questões econômicas que podem não ser compreendidas, mas que são sentidas, no bolso, pela população, como a inflação dos alimentos, também têm sido decisivas para a piora no desempenho de Lula, que está tirando o sono de aliados e articuladores, apesar das falas públicas otimistas.
