O governo do RS anunciou plano de recuperação de cerca de R$ 1,2 bilhão, a partir do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), que contempla 11 rodovias e seis pontes. O secretário Juvir Costella, titular da Selt, afirma que o objetivo é restabelecer a normalidade da malha rodoviária do Estado, além de preparar o RS para um futuro resiliente.
“Serão novas pontes, novas estradas e um novo Estado, reconstruído por todos nós. É uma oportunidade de mudar a vida das pessoas”, enfatizou Costella.
Para suportar futuros eventos climáticos no RS, a engenharia aplicada terá elementos diferentes das obras realizadas antes da enchente histórica de 2024. O diretor-geral do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), Luciano Faustino, explica que os trabalhos serão fundados em três pilares: a recuperação da drenagem, das encostas e do pavimento.
Segundo Faustino, no âmbito da recuperação da drenagem, a vazão será verificada em todas as obras, até mesmo os bueiros que não foram rompidos durante a cheia. Já na recuperação das encostas, serão verificadas eventuais trincas aparentes.
Se confirmadas, o material será removido para que as encostas sejam preparadas com soluções para prevenir futuros deslizamentos. Onde a pista ficou desgastada será feita a reconstituição do pavimento. Parte das obras licitadas até o momento foi feita em Regime de Contratação Integrada (RCI), segundo o qual a empresa que faz o projeto é a mesma que executa, reduzindo o tempo de serviço.
Novos parâmetros também estão sendo utilizados
O secretário-adjunto da Reconstrução, Gabriel Ribeiro Fajardo, ressalta ainda que a aplicação de soluções resilientes em será algo perene em todos os projetos do Estado após a enchente. “As obras, sejam elas via Daer, Selt ou mesmo as concessões, já possuem determinações para que atendam os novos parâmetros hidrológicos e de resiliência climática para suas infraestruturas. Todas as pontes, por exemplo, estão sendo alteadas de acordo com a nota técnica do IPH. São mecanismos que antes não estavam inseridos nas contratações e agora são colocados como obrigatórios”, falou.
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Fajardo destaca ainda que as obras de reconstrução do RS agregarão potencial econômico, tanto a curto prazo com a demanda de insumos e mão de obra, como a médio e longo prazo ao criar uma estrutura logística de qualidade.
Isso, segundo ele, atenderá também ao Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável, elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e vinculado à agência de desenvolvimento, a Invest RS, na busca por investimentos para o Estado.
“Estamos falando de um pacote de obras nunca antes visto na história do RS, que dá uma condição muito significativa para que a economia passe a responder localmente com a instalação de companhias para atender a demanda e para resolver gargalos logísticos conectados com o Plano de Desenvolvimento, aumentando a infraestrutura, a resiliência dela e a capacidade de atender o escoamento da produção. Esse investimento vai proporcionar uma mudança de patamar da infraestrutura logística do RS”, acrescentou.
O secretário-adjunto também reforçou a busca do Estado em encontrar parceria na iniciativa privada, através de concessões, para alavancar os investimentos realizados, seja na manutenção como na melhoria das obras com duplicações. Dois projetos já estão em andamento, que preveem a concessão de um bloco de rodovias na região Metropolitana e outro bloco no Vale do Taquari e parte da região Norte do RS.
“Estamos desenvolvendo também um Plano Estadual de Logística e Transporte, que visa identificar novas rodovias que podem ser melhor desenvolvidas através da iniciativa privada e das concessões de serviços públicos”, salientou. Ainda de acordo com Fajardo, o foco do governo será dar andamento nas concessões destes dois primeiros blocos em 2025 e 2026.
O bloco 1 é composto pelas rodovias ERS 118, ERS 020, ERS 040, ERS 115, ERS 235, ERS 239, ERS 446, ERS 474 e a ERS 010, uma nova estrada a ser implementada na região Metropolitana. Já o bloco 2 abrange 32 municípios gaúchos e é composto pelas estradas ERS 128, ERS 129, ERS 130, ERS 135, ERS 324, RSC 453 e BR 470.
Pacote de R$ 1,2 bilhão
Estradas:
- ERS 332 – Encantado, Anta Gorda e Soledade – R$ 200,4 milhões
- ERS 431 – Bento Gonçalves e São Valentim do Sul – R$ 101 milhões
- ERS 444 – Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul e Santa Tereza – R$ 92 milhões
- ERS 448 – Nova Roma do Sul e Farroupilha – R$ 118 milhões
- ERS 452 – Bom Princípio a Caxias do Sul – R$ 51,7 milhões
- VRS 826 – Feliz, Alto Feliz e Farroupilha – R$ 52,8 milhões
- ERS 129 – Estrela a Roca Sales – R$ 55,9 milhões
- ERS 149 – Santa Maria a Nova Palma – R$ 79 milhões
- ERS 348 – São João do Polêsine, Dona Francisca e Agudo – R$ 203 milhões
- ERS 437 – Vila Flores e Antônio Prado – R$ 130 milhões
- ERS 640 – São Vicente do Sul e Rosário do Sul – R$ 98,2 milhões
Pontes:
- VRS 843 – Ponte de Feliz – R$ 11,7 milhões
- ERS 417 – Ponte de Itati – R$ 8,2 milhões
- RSC 471 – Ponte de Sinimbu – R$ 6,4 milhões
- ERS 441 – Ponte de Vista Alegre do Prata – R$ 17,3 milhões
- ERS 348 – Ponte de Faxinal do Soturno – R$ 14,7 milhões
- ERS 507 – Ponte do Arroio Capivari em Alegrete – R$ 7,1 milhões