Das principais notícias de uma agitada Porto Alegre no pós-revolução Federalista aos assuntos mais recentes do Rio Grande do Sul, Brasil e mundo, os 130 anos da atuação do Correio do Povo são marcados pela documentação diária daquilo que de mais importante acontece em nossa sociedade. A relevância do veículo de comunicação na cultura e na identidade do povo gaúcho, materializada nas mais de 7 milhões de páginas em milhares de edições ao longo dessa história mais que centenária, fez com que o CP fosse reconhecido como patrimônio histórico-cultural de Porto Alegre.
A inclusão como patrimônio assegura que sua história e contribuição sejam preservadas, garantindo que sua influência continue fazendo parte da construção histórica de Porto Alegre. O acervo de mais de 7 milhões de páginas conta com todas as edições do Correio do Povo desde 1895, além de periódicos que integraram o grupo ao longo dos 130 anos, como os jornais Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha Esportiva.
A iniciativa partiu do vereador Carlo Carotenuto, foi aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada pelo prefeito da Capital, Sebastião Melo. Para o diretor presidente do Correio do Povo, Marcelo Dantas, tal declaração serve para reconhecer a relevância do jornal para a sociedade.
“Nosso acervo é único no Estado e no Brasil. Muitas coisas só existem no CP, não estão documentadas em nenhum outro lugar. O acervo é a documentação de boa parte da história do gaúcho. Nestes 130 anos de existência, a história do Estado está bem documentada. Estamos muito satisfeitos e alegres com esse reconhecimento”, pontuou Dantas.
E o Correio do Povo pode muito mais do que reafirmar seus próprios princípios hoje. Pode também mostrar como eles vêm sendo cumpridos em milhões de páginas impressas zelosamente guardadas em seus arquivos. Os acervos do jornal, que incluem ainda os arquivos de todas as edições e outras milhões de fotografias, são a memória viva que alimenta o trabalho de seus jornalistas não apenas no dia a dia, mas na história cotidiana do povo gaúcho e brasileiro.
- Censura: A edição que sobreviveu ao confisco da ditadura militar
- Linha do tempo: do nascimento após a revolução aos acontecimentos dos dias atuais
- Resistência: Correio do Povo teve superação durante as duas enchentes
Parte desta memória já está digitalizada e disponível para seus assinantes, mas esforços estão sendo empreendidos para que mais de 100 anos de arquivos completos encontrem a amplitude do mundo digital. Reconhecido oficialmente como Patrimônio Histórico-Cultural de Porto Alegre, o Correio do Povo guarda bem mais do que sua própria história. Seu acervo é também uma janela aberta para a história traçada por um povo desde o início da República até os intensos dias de hoje.
De acordo com o professor da faculdade de Arquitetura da PUCRS, Maturino da Luz, os acervos históricos de jornais e fotografias do CP atuam como um monumento nacional, resguardando grande parte da história republicana do Brasil. “O Correio do Povo é a história do Rio Grande do Sul. É a história do Sul do Brasil documentada diariamente. Recordo-me que fiquei alguns meses pesquisando a Exposição Farroupilha de 1935 nos jornais da época. É fantástica a documentação que o CP tem de tudo o que aconteceu”, concluiu o professor.