A equipe do Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas, vem estudando há alguns meses a possibilidade de reprodução do Cavalo Caramelo, animal que se tornou símbolo de força e resiliência dos gaúchos durante as enchentes de maio de 2024, quando grande parte do Estado foi devastado pela força dos eventos climáticos extremos.
A diretora do hospital veterinário, Laura Cezimbra, destaca que hoje Caramelo pesa entre 500 e 520 quilos, é considerado um animal saudável, e tem demonstrado interesse quando a fêmea do campus, chamada Pitiose, entra no cio. "Ele fica alvoroçado, relincha e tenta se aproximar. Então pensamos, por que não?" A equipe busca uma égua com a estatura compatível com a dele, que consiga fazer monta natural e que não precise fazer uma inseminação. Caramelo é considerado baixinho. Um petiço, de raça indefinida.
Laura revela que já existe uma candidata, da região, para o que eles chamam de "égua de cria" e neste sentido é importante que a fêmea já tenha uma familiarização com a manipulação na questão reprodutiva, e seja mansa. Mas não há nada confirmado e as propostas estão em aberto. A ideia, segundo ela, é que este animal seja doado para a universidade, para que de fato, seja formada uma família para o Caramelo. A Pitiose, que vive no campus, segundo Laura, é muito xucra, difícil de manipular e já tem 16 anos. Ao todo, contando com Caramelo, a universidade possui cinco cavalos, três machos, uma fêmea, e uma potra. A gestação de uma égua leva cerca de 11 meses, então a ideia é que essa escolha seja feita logo para que Caramelo tenha uma família já em 2027.
"Não queremos que a água de cruza com o Caramelo vá embora, e sim se mantenha aqui na Fazenda-Escola da universidade. Queremos a família toda aqui. Por isso não seria um empréstimo, e sim uma doação." Com relação a idade da égua, Laura explica que a fêmea deve ter maturidade reprodutiva. "A partir dos 3 ou 4 anos de idade já é o suficiente. Acreditamos que o Caramelo tenha 11 anos por conta do desgaste da sua dentição. Sobre o tom da cor da fêmea, não há preferência, mas o ideal, segundo Laura é que fosse preservado o tom caramelo.
"O que a gente tem pensado é que fêmea não seja necessariamente de raça. Até porque a gente não quer preservar uma genética específica. Na verdade, a genética que a gente quer preservar é a do Caramelo. De rusticidade e todo esse legado de resiliência que ele tem. Ele é uma figura pública, que serve de apoio emocional para muita gente, para aqueles dias tão ruins que viveu e tantas outras pessoas também vivenciaram. E hoje ele está aqui, bem, sendo cuidado e feliz. E para dar sequência à essa trama, queremos dar a ele uma família."
A diretora do hospital veterinário explica que a fêmea equina precisa do calor, de dias mais quentes, do verão, para ter a estimulação ovariana, e a partir daí fazer uma reprodução por monta natural, porém, assistida. "A equipe ficaria controlando a movimentação dos animais. Acreditamos que isso aconteceria em no máximo uma ou duas semanas, se ela já estivesse apresentando o cio. Seria expor a fêmea ao Caramelo. Acreditamos que uma vez já seria o suficiente. Não fizemos nenhum exame andrológico nele para saber como ele se comporta. Mas como ele já demonstrou com outra fêmea o interesse que ele estaria apto, bastaria uma cópula já para ter o filhote. Isso se a fêmea estiver com a saúde reprodutiva em dia. Mas claro que a gente deixaria os dois juntos por mais tempo", comenta Laura, acreditando que não teria nenhum problema de rejeição por parte do Caramelo, considerado pela veterinária como um macho garanhão.
"Ele é um cavalo garanhão, ele é inteiro. Então ele apresenta atitudes temperamentais, principalmente quando ele está exposto a outros machos não castrados. Eles se estranham, relincham, querendo brigar. Esse é o comportamento de um garanhão completo." O Caramelo é super temperamental, explica Laura. Ele adora ficar solto no piquete, um espaço de 250 metros quadrados construído a céu aberto pelo tratador, Ovídio Roque Hennicka, há cerca de pouco mais de dois meses. Uma área, considerada um verdadeiro playground. Ali ele corre solto, se sente livre.
COMPORTAMENTO TEMPERAMENTAL
"Embora ele seja temperamental, parece um adolescente. Ele fica querendo provocar a gente. Dá umas rabanadas, umas mordidinhas. Eu particularmente não entendo isso como uma questão de agressividade, porque o cavalo quando quer morder, ele morde mesmo. Ele detesta ficar na corda. Ele gosta de estar solto, livre no piquete. Quando está na corda, ele fica muito estressado, e ele demonstra isso facilmente", comenta a veterinária, destacando que Caramelo é um animal expressivo.
Laura explica que quando chove, Caramelo fica estressado dentro da cocheira e dá para ver no olhar dele. "Assim que abre sol, a equipe bota ele na corda para levá-lo para a rua ele vem empinando. Cheio de energia. É uma alegria só. Ele relincha, rola no chão, uma faceirice." A diretora explica que ele tem uma refeição balanceada. Come ração, com níveis adequados de proteína, que é o ideal para um cavalo que não faz prova. "Come bastante alfafa, principalmente quando está na cocheira, mas durante o dia é grama, que chamamos de volumoso, para manter o trânsito intestinal do equino, que é bem importante. Então precisa ter esse aporte nutricional, mas ele adora alfafa. Eventualmente quando ele recebe visitas, ele ganha cenoura e maça, que gosta também."
Além das visitações, Caramelo tem muitos seguidores nas redes sociais através do perfil @cavalocaramelo.oficial onde as pessoas ficam sabendo tudo o que se passa na vida do cavalo resgatado durante as enchentes.
CARAMELO PERMANECEU CINCO DIAS ILHADO SOBRE TELHADO DE RESIDÊNCIA NO MATHIAS VELHO
Em maio de 2024, durante a maior catástrofe climática do RS, após permanecer por cerca de cinco dias isolado sobre o telhado de uma residência, cercado pela água, o animal, visivelmente desidratado, foi salvo em uma operação de alta complexidade que exigiu técnica, planejamento, sensibilidade e trabalho conjunto. A ação foi conduzida por uma força-tarefa formada por bombeiros de São Paulo e do Rio Grande do Sul, além de cinco médicos veterinários e voluntários que se uniram em um esforço coletivo. Com duração de aproximadamente seis horas, o resgate exigiu o uso de um bote reforçado e a sedação do animal, que pesava cerca de 400 quilos, na época, garantindo segurança em cada etapa da operação. Após retirá-lo do telhado, foi levado para o campus da universidade de onde nunca mais saiu.
Como visitar Caramelo
Qualquer pessoa pode ver Caramelo. As visitas ocorrem mediante agendamento e são realizadas às terças e quintas-feiras, das 13h às 14h. O agendamento pode ser feito por meio do perfil do cavalo no Instagram.
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