Além dos próprios compromissos do fim de semana, é a situação delicada na tabela do Campeonato Brasileiro que impede o assunto Gre-Nais da Copa do Brasil de dominar as discussões. No entanto, assim que terminarem os jogos contra Atlético Mineiro e Bragantino, personagens de Inter, no sábado e Grêmio, no domingo, estarão expostos ao tema inevitável a cada vez que eles se encontram: o favoritismo. Mais do que isso, como lidar com ele. O peso quando pendido para um dos lados da balança carrega com ele um receio, nem sempre admitido publicamente, de assumi-lo até a bola rolar.
"Existe porque tem uma máxima de que geralmente o favorito perde. O Ibsen Pinheiro tinha outra máxima de que Gre-Nal arruma ou desarruma a casa. Quem perder vai ter uma decepção grande. O momento desse duelo é inapropriado para a fase que atravessam as equipes", opina José Evaristo Villalobos, ex-assessor de imprensa do Inter. O mesmo caminho reconhece Sergio Schueler, outro pioneiro na área assim como o amigo Nobrinho, como é conhecido o ex-colega de função.
"Acho que sim. Como é um clássico e os clube são de uma mesma cidade, qualquer declaração pode ser usada de combustível para a partida. Sem contar que dependendo do resultado, os dias seguintes ao jogo podiam ser de muita cobrança para quem tivesse assumido o favoritismo que não se cumprisse", relembra Serginho.
Experientes, com anos de serviços prestados nos melhores e piores momentos dos vestiários de Beira-Rio e Olímpico, os dois jornalistas fizeram parte de uma época diferente da atual com maior exposição de jogadores, treinadores e dirigentes à imprensa no dia a dia. Porém, eram também tempos sem redes sociais em que a cobrança é mais imediata do torcedor, por exemplo.
O que não muda, segundo os dois, é que a preocupação interna com os acontecimentos externos não é suficiente para que uma voz de liderança tome à frente e passe aos subordinados uma diretriz no ambiente tenso que antecede esse tipo de partida.
Quem orientava os "superiores" (dirigentes políticos) era eu. Nem sempre as orientações eram seguidas. A gente pisava em ovos. Qualquer palavra, frase ou atitude fora do lugar podia gerar uma crise com graves consequências", revela o gremista, num sentimento de certa forma compartilhado do colorado: "Na verdade eles, os dirigentes em geral, nunca entenderam o nosso trabalho. Os ex-presidentes Fernando Carvalho e Giovanni Luigi eram os mais sensíveis nesse sentido".