Não adianta correr atrás depois da hora, a Copa do Mundo Feminina já começou. Esse foi o tom da palestra de Tiago Pinto, especialista em marketing esportivo e sócio-fundador da The Brand Academy, no Paim Talks desta terça-feira.
“Podemos traçar vários paralelos entre a Copa do Mundo de 2026 e a Copa Feminina de 2027”, destacou. “Quem apostou contra, ou não se preparou o suficiente para aproveitar a oportunidade nesta última Copa, se arrependeu.”
Pinto comparou o cenário dos Estados Unidos, um País que não tem o futebol como um de seus esportes principais, mas que entregou uma Copa com estádios lotados e recordes de audiência, com a realidade do futebol feminino no Brasil. “Tem gente falando que ninguém acompanha futebol feminino, que não vai ter procura, mas a tendência que se vê é outra.”
Segundo o relatório “Undervalued to Unstoppable”, da Nielsen e da Pepsico em 2025, estima-se que o futebol feminino atinja 800 milhões de fãs até 2030, um crescimento de 38%. No Brasil, uma pesquisa da CBF em parceria com a Nexus mostrou que 73% dos brasileiros têm uma opinião positiva sobre a Seleção Feminina, e que um a cada cinco assiste a uma partida de futebol feminino pelo menos uma vez a cada 15 dias.
Mercado mais amplo
O especialista também pontuou que o futebol feminino oferece um leque de oportunidades mais amplo do que o masculino. “Os setores que mais têm tido retorno com o esporte feminino são maquiagem, moda e personal care. Futebol feminino não vende só chuteira e camiseta. As atletas são personalidades, e o contato delas com o público oferece uma vitrine para as marcas.”
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O público do futebol feminino também se difere do futebol masculino. Mas não se trata apenas de mais mulheres acompanhando o esporte, são mais famílias.
“Muitas vezes se tem receio de levar criança no estádio, por causa de todo o cenário do que se espera encontrar lá. O futebol feminino não oferece esse risco, o público se comporta de forma diferente”, explica Pinto. “Pensando em turistas internacionais especificamente para a Copa, a tendência é de que o público mais familiar e com um poder aquisitivo maior.”
Na Copa Feminina de 2027, Porto Alegre deve receber entre seis e oito jogos da competição, mais do que sediou no Mundial de 2014. O Rio Grande do Sul também tem capacidade de servir de centro de treinamento para três seleções.