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Campeão da Série B no Coritiba, ex-dirigente do Inter explica reconstrução do clube

Jorge Andrade assumiu como executivo de futebol do Coxa há um ano

Jorge Andrade (E) ao lado de William Thomas (D) com a taça da Série B
Jorge Andrade (E) ao lado de William Thomas (D) com a taça da Série B Foto : Rafael Ianoski / Divulgação / CP

O tricampeonato da Série B do Campeonato Brasileiro pelo Coritiba - 2007, 2010 e 2005 - tem marcas gaúchas dentro e fora de campo. O título conquistado no domingo, na última rodada, é considerado uma espécie de redenção após dois anos complicados desde a instalação da SAF no Coxa. Na última temporada, Jorge Andrade, ex-dirigente do Inter, foi contratado para ser o executivo de futebol.

Sua chegada ao Couto Pereira fez aumentar o número de nomes conhecidos da Dupla Gre-Nal. Além dele, William Thomas também tem passagem pelo Beira-Rio, assim como o quarteto dentro de campo formado por Zeca, Moledo, De Pena e Dellatorre. Da base do Grêmio vieram nomes como os já rodados Machado e Nicolas Careca.

Enquanto comemora o título inédito, Andrade já projeta a próxima temporada. O calendário não permite muito tempo, ainda mais para o executivo. No bate-papo abaixo com o dirigente, ele conta quais são os planos do Coxa e explica porque foi escolhido Mozart, técnico que montou e subiu o Mirassol, sensação da Série A deste ano.

O Coritiba caiu em 2023, passou por muita dificuldade em 2024 com uma campanha abaixo do esperado na Série B e agora volta para Série A novamente. O senhor esteve desde o começo da atual temporada. A que se deve essa mudança de rumo?

Uma série de fatores foi importante para essa mudança. Começa com o plano de reposicionamento do clube através da SAF. Algumas ações foram executadas com o objetivo de voltar à Série A. E para isso o departamento de futebol teve muita organização. Contratamos uma comissão técnica experiente na competição e na busca por pertencimento. O Mozart é daqui e começou aqui na base como treinador. Portanto, tem vínculo importante nesse reposicionamento. E claro, comprometimento do grupo e a cultura do trabalho criada ao longo da temporada.

Três dos clubes que subiram são da região Sul (Coritiba, Athletico e Chapecoense, além do Remo) onde, até o momento, estão outros três. O que isso quer dizer, uma vez que não estamos no grande centro onde circula mais dinheiro no país?

Acho que tem muito da cultura do trabalho dessa região. Conquistar o resultado pela entrega do trabalho comprometido. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná foram sempre estados de cultura de colonização por imigrantes de todas as partes do mundo e que ajudaram os estados e o país a crescer. Já que não temos o incremento dos grandes investimentos do centro do país, temos a cultura da organização. O Coritiba é um exemplo disso, pois é um clube extremamente organizado.

No ano passado, as informações que chegavam daí eram de muita insatisfação com a passagem do Carlos Amodeo, ex-CEO do Grêmio e hoje no Vasco. A torcida cobrava bastante nesse sentido até que ele saiu. Como o senhor recebeu o departamento de futebol do Coxa e como enxerga ele no cenário que se apresenta para 2026?

Cheguei e encontrei o futebol extremamente organizado com o William Thomas, nosso Head do futebol e com a própria SAF. Isso facilitou bastante ao ver diretreizes de um rojeto para ser executado. Para 2026 a gente quer entregar as melhores condições para os nossos atletas crescerem e que nossa equipe desenvolva.

O Mozart já tinha experiência em acesso e trabalhou com um grupo sem grandes estrelas e com jogadores conhecidos daqui da Dupla Gre-Nal. Qual a avaliação do trabalho dele e ele segue para a Série A que começa já em janeiro?

Excelente! Conseguiu o objetivo. Ele tem todo o perfil para o nosso projeto esportivo. É jovem e experiente treinador. O enfrentei com equipes organizadas e com conceito de jogo bem desenvolvido. E aqui nao foi diferente. Houve uma reconstrução de 2024 para 2025. Tivemos problemas no estadual e na Copa do Brasil, mas sempre tivemos convicção dele ser o nosso treinador. Fizemos um estudo de 1.800 jogos da Série B antes de contratá-lo e avaliamos todos os fatores que eram importantes para aquele momento. E o Mozart sempre teve defesas muito sólidas. Isso foi um dos fatores e também pela maneira de jogar e de conteúdo de treinamento.

Atualmente no Brasil existem vários modelos de SAF. Pode explicar como é o modelo da do Coritiba?

É a primeira vez que trabalho em uma SAF. Desde a implementação delas, a gente procura saber como elas estão organizadas, quais são os modelos. E as informações que eu tinha eram de organização e planejamento aqui no Coritiba. É um projeto com parceiros e com características de ser um projeto perene muito responsável em suas ações. Isso o mercado já tem comentado nos últimos meses.

Por fim, qual a projeção de investimentos do clube nessa volta, uma vez que o mercado parece estar super inflacionado?

O projeto é cumprir os seus compromissos orçamentários e ser responsável com os recursos do clube. Estamos ainda em um processo de restruturação e de reposicionamento do clube. Para 2026 o compromisso é fazer uma Séria A com responsabilidade e atingindo o objetico de se manter na competição.

Jorge Andrade ao lado da família no Couto Pereira | Foto: Rafael Ianoski / Divulgação / CP

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