Esportes

Carol Santiago retorna a Porto Alegre e avalia mudanças de provas para o Mundial de Natação Paralímpico

Nadadora do Grêmio Náutico União dá início ao ciclo para a Paralimpíada de Los Angeles-2028

Carol Santiago se prepara para o Mundial de Natação em Singapura
Carol Santiago se prepara para o Mundial de Natação em Singapura Foto : Camila Cunha

Cinco medalhas paralímpicas conquistadas nos Jogos de Paris-2024 e um recorde mundial nos 50m livre seriam uma boa maneira de se encerrar uma carreira esportiva vitoriosa. Mas não para Carol Santiago. Prestes a completar 40 anos, a nadadora do Grêmio Náutico União (GNU) está de volta a Porto Alegre durante duas semanas em preparação para o que será a maior competição após Paris: o Campeonato Mundial de Natação Paralímpica. A disputa será realizada em Singapura, entre os dias 21 e 27 de setembro.

Pouco menos de um ano do seu retorno à capital gaúcha, a maior campeã paralímpica da história sempre faz questão de destacar como se sente em casa no GNU. "Aqui é a casa da minha natação. Então eu venho nos treinamentos mais difíceis e consigo dar qualidade aqui porque para mim este clube respira o alto rendimento", afirma Carol.

Desde o fim de Paris-2024, quando a paratleta bateu o martelo que iria disputar os Jogos de Los Angeles-2028, Carol tem focado nas suas provas principais: 50 e 100m livres e 100m costas. E para o Mundial não será diferente. A ideia é justamente não carregar um estresse a mais com outras provas, além de não ter a apreensão de quebrar qualquer expectativa do público, ou até mesmo dela própria, sobre entregar um desempenho positivo, preocupações que a Carol Santiago escolheu não viver mais nesta altura da carreira.

Mudança na comissão técnica e preparo psicológico

Participar de uma Paralimpíada sempre transforma o atleta de alguma maneira, e com Carol não foi diferente. Tanto Tóquio-2020, disputa que abriu seu caminho de vitórias na sua trajetória esportiva, quanto Paris-2024, ano que serviu para a nadadora colecionar conquistas em diferentes provas, serviram de experiência para que a atleta amadurecesse e evoluísse sua maneira de nadar.

Após os destaques positivos em terras francesas, a nadadora passou por uma mudança na comissão técnica. O treinador que a acompanhava há quase sete anos, que é inclusive esposo de Carol, deixou a equipe para a entrada de Léo Leis. "Então na volta dos Jogos eu acabei demorando um pouquinho mais na adaptação do que eu estava esperando", confidencia Carol.

"Mas estamos conseguindo ver os frutos. Eu acho que a seletiva foi um indicativo muito claro de que estamos no caminho certo, porque a gente nadou muito perto do meu melhor tempo nos 50m livre. A gente tem o recorde mundial hoje, que é 26s62 e a gente nadou por 26s65, então foi muito perto e isso foi importante para dar confiança na nova equipe", completa.

Nadadora Carol Santiago, atleta do Grêmio Náutico União, se prepara para o Mundial de Natação | Foto: Camila Cunha

Focada em não perder mais tempo no caminho até Los Angeles-2028, a paratleta tentará aproveitar o máximo o ciclo até lá, começando pelo Mundial em setembro. Para isso, Carol afirma que manter a cabeça no lugar é o primeiro passo para conseguir suportar momentos de grande pressão vividos tanto nos Jogos quanto no Mundial, que são as maiores competições na carreira de um atleta.

O Mundial de Londres em 2019 foi a virada na carreira de Carol para que ela passasse a valorizar a preparação psicológica da mesma forma que valoriza a física. Na ocasião, a nadadora conta que foi tomada pelo nervosismo quando subiu no bloco, momentos antes de entrar na piscina. "O meu medo era cair de tanto que eu me tremia de medo de performar na hora. Eu estava fazendo aquilo que eu mais gostava no mundo, a coisa que eu mais sei fazer e eu não conseguia fazer direito porque eu estava tão desequilibrada psicologicamente que eu não conseguia desempenhar o que eu tinha treinado", conta.

Desde então, Carol passou a trabalhar nisso para que o cenário não se repetisse em outra competição, o que não aconteceu. "Eu queria ter um psicológico tão forte que eu nunca precisasse me afastar, que eu conseguisse enfrentar os desafios e os desequilíbrios da preparação de uma forma equilibrada. Que eu conseguisse ter na cabeça sempre aquilo que eu queria atingir para que as dificuldades do treinamento não me deixasse ficar doente psicologicamente", destaca.

Mundial em Singapura é o primeiro passo para Los Angeles-2028

As expectativas para a competição em setembro são as melhores possíveis. De acordo com Carol, seus melhores resultados são em Mundiais por ser uma competição um pouco mais leve apesar do alto nível de competitividade. Além disso, será a primeira grande competição que a nadadora fará apenas suas provas específicas, o que traz ainda mais tranquilidade para entrar na água.

"Eu espero que a gente consiga resultados interessantes nestas provas. Então, a minha expectativa maior é que a gente possa, toda vez que cair na água ter a responsabilidade com o programa, com a prova que treinei muito. Vai ser um teste para o que a gente vai encontrar lá na frente na Paralimpíada e ter o controle nestas provas que são mais minhas me traz ainda mais foco ", conclui.

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