A partida
O começo de jogo no Estádio de Marrakesh enganou os prognósticos. Marcos Rocha logo encontrou um cruzamento perfeito e Diego Tardelli conseguiu antecipar a marcação para abrir o placar para o Galo. Com menos de dois minutos de jogo, o Atlético dava a impressão que dominaria a partida. Doce engano.
Bastou os primeiros ataques do time chinês para o velho problema da semifinal se repetir no Marrocos. Réver e Leonardo Silva eram lentos no desarme e as laterais, verdadeiras avenidas. Em falha de Marcos Rocha, o atacante brasileiro Elkeson carimbou o travessão de Victor. No rebote, o ex-atleticano Muriqui empatou a partida com facilidade.
O Galo estava perdido em campo. A despedida de Cuca do comando da equipe tinha tudo para sair errado. Logo o Guangzhou mostrou que iria usar, de forma cruel, a morosidade atleticana. Em novo ataque cheio de buracos na defesa, o time asiático sofreu um pênalti infantil de Lucas Cândido e Conca, também se despedindo, virou a partida.
Mais uma vez atrás do placar no Marrocos, o Alvinegro mineiro teve de ouvir vaias dos corajosos atleticanos que foram ao Estádio de Marrakesh. Pela primeira vez, Cuca foi xingado, pois insistia em deixar Lucas em campo. Para a melhora da equipe, o jogador se contundiu e Junior Cesar foi para o seu lugar. Mesmo mal na partida, o Galo teve de contar com os pés de craque de Ronaldinho. Em nova falta frontal, o camisa 10 deixou Li Shuai plantado e fez o seu segundo gol no Mundial.
Luan salva o Galo
O Guangzhou começou a etapa complementar sabendo que a vitória seria adiquirida se o comportamento defensivo fosse parecido com o do primeiro tempo. O Atlético continuou um queijo suíço na defesa e seu ataque, com Jô como referência, não funcionava. O atacante que pretende jogar a Copa do Mundo foi peça inútil e acabou sendo substituído por Luan.
A facilidade para penetrar na zaga atleticana era tão grande que a terceira bola chinesa foi tocada na trave e o rebote só não foi aproveitado por muito azar. Victor voltou a aparecer em lance de Muriqui, no qual Conca viu Réver e Leonardo Silva quase dormindo em campo e enfiou para o camisa 11.
O Galo só conseguiu alguma coisa com a raça de Luan ou os lampejos de Ronaldinho. Quando os dois se juntaram, o desempate foi impedido pela zaga do Guangzhou. O meia aproveitou rebote, mas seu chute forte foi interceptado. A grande dificuldade era de ligar contra-ataques. Ou Fernandinho, sumido, fazia a falta ofensiva, ou os volantes Pierre e Josué nem conseguiam fazer a saída de bola.
Se Ronaldinho empolgou os torcedores marroquinos com seu gol de falta e alguns dribles, foi peça lamentável no final do jogo, quando agrediu Zhao Xuri, após tomar um pisão. Recebeu vermelho direto e deixou o Galo sem um batedor de pênaltis.
O alívio veio no finalzinho. Como o jogo diante do Tijuana, Luan entrou para tirar o Galo da miséria. Aos 46 minutos, ele recebeu livre de marcação, esperou o momento certo e virou o jogo para o Atlético-MG. O Galo, assim, garantiu o terceiro lugar no Mundial de Clubes.