Quem vê de longe pode até confundir com tênis. Também pudera, os equipamentos são bem parecidos. Raquetes, bolinhas e uma rede no meio da quadra são o suficiente para que o jogo aconteça. No entanto, um olhar mais próximo percebe que, embora a semelhança, o pickleball é um esporte longe de ser parecido com os outros já tradicionais e conhecidos pelo público.
Criado em 1965, em Washington, nos Estados Unidos, o jogo é definido como familiar até hoje. Isso porque se caracteriza por ser inclusivo e acessível a todas as idades e níveis de habilidades. O desenrolar do jogo também é de fácil compreensão, contribuindo para que pessoas de diferentes faixas etárias se enfrentem em cada partida.
Em Porto Alegre, a prática vem ficando cada vez mais conhecida nos últimos anos. No início, era buscada principalmente pelos adultos, porém, com o passar do tempo, foi se difundindo também entre os pequenos. No embalo deste aumento, o Grêmio Náutico União (GNU) construiu uma quadra voltada totalmente para o pickleball na sede Alto Petrópolis. Embora ainda não tenha aulas da modalidade, para a professora de tênis do clube, Simone Ribeiro, amante da prática há alguns anos, a quadra é um bom começo para mais pessoas se interessarem pelo esporte.
"Antes, a gente costumava utilizar quadras de tênis para jogar, fazíamos as marcações, baixávamos a rede e jogávamos assim mesmo. Mas agora com essa quadra faz total diferença. Inclusive, mês passado fizemos uma demonstração em uma das quadras de tênis, para tocar uma bolinha e conversar. Quando vimos estava cheio, o pessoal todo com as suas raquetes se divertindo com o pickleball", conta Simone.
Como funciona o jogo
O pickleball combina elementos do tênis, tênis de mesa e badminton. A principal diferença, além da quadra menor, é a bola, caracterizada por furos em toda a circunferência. Além disso, a quantidade destes furos muda de acordo com o ambiente que o esporte é praticado - indoor ou outdoor. Essa variação influencia diretamente a forma como a bola interage com o vento.
A partida em si consiste basicamente em a bola quicar uma vez em cada lado antes que os jogadores possam começar a rebater no ar, o que é chamado de regra dos dois quiques. Ainda, existe uma área próxima à rede chamada “kitchen”, onde não é permitido bater na bola no ar, ou seja, é preciso esperar ela quicar antes de rebatê-la.
A pontuação é simples, já que apenas o time que está sacando pode marcar pontos. Normalmente, as partidas vão até 11 pontos, sendo necessário vencer por dois de diferença, mas em alguns casos pode ir até 15 ou, no máximo, 21 pontos.
"A variação de pontuação costuma acontecer em campeonatos regionais e nacionais, depende de como está organizado. A proporção está tão bacana que já têm grupos competindo em diversos lugares, mas a gente volta sempre ao ponto de que ele é de lazer, de desconcentração, de colocar o corpo em movimento mesmo. Claro, tem gente que é muito competitiva, mas o principal espírito do pickleball é outro", explica Simone.
Paixão pelo pickleball começou fora do Brasil
Embora a prática esteja sendo difundida entre diferentes idades, o maior número dos amantes do esporte ainda é de adultos. Heloísa Hoefel, de 69 anos, compõe este grupo. Quando conheceu o pickleball em San Diego, nos Estados Unidos, em 2024, achava que seria apenas mais um lazer passageiro ao lado da família. Se enganou. Voltou para o Brasil já em busca de um lugar onde pudesse praticar diariamente.
Ex-jogadora de tênis, Heloísa viu no pickleball uma maneira de retornar ao esporte e seguir com o corpo em movimento na terceira idade. Assim, passou a praticar seis vezes na semana até machucar o tornozelo em outubro deste ano e se ver obrigada a parar de jogar por cerca de um mês. Mesmo lesionada, busca acompanhar de perto os encontros de jogos aos finais de semana ao lado de família, que também virou amante do pickleball.
"Minha família toda é amante de esporte com raquetes. Eu jogava tênis, meu marido também, agora meu neto também joga tênis e pickleball, o que é maravilhoso porque posso ficar perto de todos fazendo um esporte que amo", afirma Heloísa.
Enfermeira aposentada, Heloísa também destaca a importância da prática para a terceira idade manter o corpo em movimento. Além do esporte, ela também pratica hidroginástica e academia como um complemento para o corpo na rotina. “É super importante se manter em atividade, ainda mais com a idade, e acho que o pickleball ajuda bastante nisso, porque além do corpo a cabeça também fica atenta na partida. E o que eu mais gosto é esse clima familiar, de diversão, isso deixa tudo ainda mais atraente”, conclui.