Copa do Mundo

Árbitro australiano é investigado pela Fifa por suposto gesto supremacista

Shaun Evans teria feito o sinal de “white power” nesse domingo (14), antes do jogo entre Alemanha e Curaçao

Shaun Evans fez sinal quando câmera de transmissão da partida apresentava os árbitros da cabine
Shaun Evans fez sinal quando câmera de transmissão da partida apresentava os árbitros da cabine Foto : Professional Football Referees Association / Reprodução / CP

Se o jogo entre Alemanha e Curaçao, pela fase de grupos na Copa, repercutiu após o seu término devido ao placar, um momento anterior ao início da partida já chamava a atenção de quem acompanhava a partida. Durante a transmissão da sala dos árbitros de vídeo (VAR), antes do começo da partida, o australiano Shaun Evans teria feito um “ok invertido”, gesto associado a supremacistas brancos.

Fifa confirmou a abertura de investigação sobre o episódio | Foto: Instagram / Reprodução / CP

O árbitro fez o sinal quando a câmera de transmissão da partida apresentava a sala do VAR, mostrando as letras W e P que, respectivamente, significariam “white” e “power”, no português “poder branco”. A Fare Network, organização parceira da Fifa no monitoramento e combate de casos de racismo e discriminação, denunciou Shaun Evans à Fifa, solicitando o afastamento imediato do árbitro. A Fifa confirmou a abertura de investigação sobre o episódio, mas não ainda anunciou qualquer decisão sobre punição ou permanência de Evans no torneio.

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O protocolo de posicionamento na cabine no momento de transmissão mudou já a partir do jogo seguinte, entre Holanda e Japão, que ocorreu no domingo às 17h. Os árbitros estavam posicionados olhando para a câmera.

O símbolo de “ok invertido”

Segundo a Liga Antidifamação, organização que monitora, acompanha e combate o antissemitismo, embora o gesto de “ok” seja cultural e inofensivo em muitos locais, elementos contextuais podem evidenciar o símbolo como manifestação de ódio. No caso de Shaun Evans, fatores como o braço colado e imóvel ao corpo no momento do gesto e o movimento suave para fazer e desfazer o gesto são indícios de que a atitude estaria ligada ao movimento neonazista.

De acordo com a Liga Antidifamação, o “ok invertido” se tornou uma tática popular de provocação por indivíduos de extrema-direita, começando a ser usado por supremacistas brancos. Um caso foi em 2020, quando o supremacista branco australiano Brenton Tarrant exibiu o símbolo após ser condenado à prisão perpétua pelo assassinato de 49 pessoas em um ataque a mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia.