Se o jogo entre Alemanha e Curaçao, pela fase de grupos na Copa, repercutiu após o seu término devido ao placar, um momento anterior ao início da partida já chamava a atenção de quem acompanhava a partida. Durante a transmissão da sala dos árbitros de vídeo (VAR), antes do começo da partida, o australiano Shaun Evans teria feito um “ok invertido”, gesto associado a supremacistas brancos.
O árbitro fez o sinal quando a câmera de transmissão da partida apresentava a sala do VAR, mostrando as letras W e P que, respectivamente, significariam “white” e “power”, no português “poder branco”. A Fare Network, organização parceira da Fifa no monitoramento e combate de casos de racismo e discriminação, denunciou Shaun Evans à Fifa, solicitando o afastamento imediato do árbitro. A Fifa confirmou a abertura de investigação sobre o episódio, mas não ainda anunciou qualquer decisão sobre punição ou permanência de Evans no torneio.
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O protocolo de posicionamento na cabine no momento de transmissão mudou já a partir do jogo seguinte, entre Holanda e Japão, que ocorreu no domingo às 17h. Os árbitros estavam posicionados olhando para a câmera.
O símbolo de “ok invertido”
Segundo a Liga Antidifamação, organização que monitora, acompanha e combate o antissemitismo, embora o gesto de “ok” seja cultural e inofensivo em muitos locais, elementos contextuais podem evidenciar o símbolo como manifestação de ódio. No caso de Shaun Evans, fatores como o braço colado e imóvel ao corpo no momento do gesto e o movimento suave para fazer e desfazer o gesto são indícios de que a atitude estaria ligada ao movimento neonazista.
De acordo com a Liga Antidifamação, o “ok invertido” se tornou uma tática popular de provocação por indivíduos de extrema-direita, começando a ser usado por supremacistas brancos. Um caso foi em 2020, quando o supremacista branco australiano Brenton Tarrant exibiu o símbolo após ser condenado à prisão perpétua pelo assassinato de 49 pessoas em um ataque a mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia.