Copa do Mundo

Carlos Corrêa: “Nos Estados Unidos, a Fifa fala baixo”

Postura da entidade é bem diferente daquela vista com o Brasil na Copa do Mundo de 2014

Infantino (D) tem procurado manter-se próximo ao presidente Donald Trump
Infantino (D) tem procurado manter-se próximo ao presidente Donald Trump Foto : AFP / CP

Não que eu tivesse esquecido, mas fiz questão de dar uma busca no arquivo do site do Correio do Povo. E lá estava, em 2012, uma declaração do então secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke sobre a organização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. “Têm muitas coisas que não estão sendo feitas. Não entendo por que não estão em curso. Por que tudo está tão atrasado? Tem que se apressar, colocar a casa em ordem e organizar este Mundial!” O ponto de exclamação não está ali por acaso.

Corta para anteontem, na entrevista de quarta-feira, de Gianni Infantino, presidente da Fifa. Quando questionado sobre todos os absurdos que o governo dos Estados Unidos está fazendo em relação a algumas seleções, acabando com o que é um fator essencial em qualquer competição esportiva, que é a igualdade de condições, o dirigente argumentou. “Em alguns momentos, talvez o melhor seja, você sabe, descansar, relaxar. Tentamos resolver as coisas. Mas às vezes gritar tem o efeito contrário”, justificou.

A mesma Fifa que se achava acima do governo brasileiro em 2014 e que se achava maior que o governo sul-africano, pia baixinho quando convém. Foi conveniente falar baixo com a Rússia em 2018, assim como foi conveniente sussurrar com as autoridades do Catar, em 2022. Agora, é melhor nem olhar direto para Trump, a quem o próprio Infantino deu o infame Prêmio da Paz no ano passado.

Em 2030, Marrocos, Espanha e Portugal que se preparem. O tom de voz vai aumentar de novo. Já a Arábia Saudita em 2034 pode, quem sabe, descansar e relaxar. A Fifa estará quietinha.

Veja Também