Copa do Mundo

De olho no bolão: veja dicas para evitar golpes digitais na Copa do Mundo de 2026

Conhecer o organizador, preservar dados sensíveis e observar as informações de pagamento é essencial para a segurança da brincadeira

Proximidade da Copa aumenta a procura por bolões
Proximidade da Copa aumenta a procura por bolões Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

Resumo

  • Para evitar golpes, antes de entrar em um bolão online, verifique se conhece o organizador. Se não for um conhecido, busque se informar sobre quem é o organizador, quem ele está representando, qual é a empresa por trás do bolão, qual é o tipo de serviço utilizado e qual é o meio de pagamento;
  • Na hora de depositar o valor da brincadeira, atente-se aos dados do destinatário. Caso não sejam iguais aos do organizador, as chances são altas de ser golpe;
  • Conheça as regras da plataforma em que está sendo realizado o bolão. Se a empresa solicitar dados sensíveis ou enviar links de pagamento, desconfie;
  • Em caso de golpe, o primeiro passo é contatar a sua instituição bancária e relatar o ocorrido. Na sequência, é preciso reunir as evidências e fazer o Boletim de Ocorrência na delegacia. Embora existam meios de recorrer, não há garantias de que o dinheiro será devolvido;
  • Nem todos gostam de futebol. Portanto, para quem está organizando bolão no ambiente de trabalho, é importante respeitar a diversidade de opiniões e a cultura da empresa, assim como ter cuidado para equilibrar a celebração com as tarefas profissionais.

Copa é tempo de confraternização, torcida, festa e… bolão! Às vésperas da estreia de mais um Mundial, os entusiastas de futebol já estão com os palpites prontos para a competição mais aguardada do ano: a Copa do Mundo de 2026.

Apenas na plataforma digital Bolão Aí, que está no mercado desde 2025, foi registrado, na última segunda-feira, um milhão de palpites em torno da disputa. Ao todo, são 50 mil usuários cadastrados. Mas, com a brincadeira, vem o alerta: antes de entrar em um bolão online, é preciso ter muito cuidado para evitar fraudes. Somente em 2024, foram registrados 281.206 estelionatos em meio digital no Brasil.

Os dados, que são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, não deixam dúvidas: todo o cuidado é pouco. E, nem sempre, é suficiente para se proteger contra golpes. Conhecer o organizador, preservar dados sensíveis e observar com atenção as informações de pagamento são cuidados imprescindíveis para que a brincadeira não termine na delegacia.

A base do boca a boca

A Copa do Mundo de 2026 será a terceira em que o empreendedor e jornalista Pérsio Amazarray Ciulla coordena um bolão online. O interesse pela prática, contudo, vem de antes disso. “O meu primeiro bolão foi na Copa de 1994, na verdade”, destaca.

O que começou como uma brincadeira entre os colegas com o tempo foi ganhando outra proporção, com plataforma digital, grupo de WhatsApp e regras bastante claras. Em 2018, Ciulla reuniu 173 amigos para um bolão online. Na edição seguinte, em 2022, o grupo chegou aos 186 participantes. “Foi uma coisa de boca a boca, foi bem legal”, destacou. Às vésperas de mais uma competição, o organizador quer quebrar o recorde da edição passada.
Para ele, que nunca teve problemas com golpes no ambiente digital, o boca a boca é a chave para a segurança do bolão. “As pessoas que entram no grupo, no meu caso, são somente conhecidos mesmo, do boca a boca, sabe? Nem todos eu conheço. Tem gente que eu não faço ideia de quem seja, mas sempre vem através de um conhecido”, explica Ciulla. “Nunca é um completo estranho.”

Para o bolão não terminar em calote

De acordo com o delegado Emerson Wendt, que é especialista em cibersegurança, investigação digital e direito digital, conhecer o organizador é justamente um dos pontos centrais a se considerar antes de entrar em um bolão, principalmente, online.

“Se você não conhece o organizador do bolão, eu diria para procurar fazer uma busca na internet sobre quem é o organizador, quem ele está representando, qual é a empresa por trás dessa organização, qual é o tipo de serviço que ele está utilizando, qual é o meio de pagamento”, afirma Wendt.

Após a pesquisa, vale ainda se atentar ao destino do pagamento. “Se o bolão é de um organizador X, e aí quando for fazer o pagamento vai para Y, certamente você tem que justamente desconfiar, porque isso é um grande sinal também de golpe”, completa o delegado.

Para quem planeja criar um bolão, também há cuidados indispensáveis. “É importante que as pessoas, ao criar bolões, se atentem ao que as empresas estão perguntando. Se você vai se cadastrar em um site que está pedindo seu CPF, seu nome, seu cartão de crédito… enfim, muitos dados sensíveis, é melhor dar um pezinho para trás”, explica a líder de Pessoas e Produtos da plataforma Bolão Aí, Thaissa Carrafa.

A representante chama atenção para outro ponto de desconfiança: prêmios muito altos. “Às vezes, tem "acerte o jogo do Brasil e ganhe até R$ 1 milhão em prêmios". E aí as pessoas acabam aderindo por conta de uma premiação muito alta. É muito bom tomar o cuidado com relação a isso”, pondera.

É importante observar também às medidas de segurança oferecidas pelas próprias plataformas. No caso do Bolão Aí, por exemplo, é necessário receber um link de convite para ingressar no bolão. Não há grupos abertos ao público.

“A gente não faz nenhum tipo de cobrança, e deixamos muito claro esses alertas para os nossos usuários. Se receberem um link de cobrança, algum tipo de e-mail, algum tipo de mensagem, saiba que a gente não faz essas cobranças, elas são feitas diretamente pelo administrador do bolão”, recomenda.

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Caí em um golpe no bolão, e agora?

Em caso de fraude no bolão, o primeiro passo deve ser contatar a sua instituição bancária e descrever o ocorrido. “Uma recomendação importante, caso a pessoa caia num golpe desses, é fazer um contato com o seu sistema de banco e acionar o Mecanismo Especial de Devolução, o MED, relatando a situação de fraude e pedindo que a resolução do Banco Central, que trata sobre o MED, seja ativada”, explica o delegado Emerson Wendt.

O Mecanismo Especial de Devolução é uma ferramenta exclusiva do Pix, que pode ser acionada em até 80 dias após o golpe. Para usufruí-lo, é necessário acionar a instituição bancária, que deverá avaliar o caso dentro de uma semana.

Caso seja constatado o golpe, o recebedor do pagamento terá os recursos disponíveis bloqueados na conta. O dinheiro, na sequência, será devolvido integral ou parcialmente, dependendo do saldo disponível na conta do fraudador. A devolução poderá ser parcelada – até atingir o valor total da transação – ou rejeitada, caso a conta do fraudador tenha sido encerrada. Ou seja, acionar o banco e solicitar o MED não garante que o dinheiro vai voltar para o seu bolso.

“Não há garantia. O banco vai colocar a transação em suspensão para ver se consegue nas transações bloquear valores envolvidos na fraude. Se conseguir bloquear, eventualmente, a pessoa pode ter o valor devolvido”, explica Wendt. O especialista ressalta ainda que, na sequência, é necessário juntar as evidências e efetuar o boletim de ocorrência na delegacia.

E o bolão da firma?

Para quem pretende manter os palpites apenas entre colegas de trabalho, também há recomendações. “A palavra-chave é equilíbrio. A empresa e o líder não podem agir como se nada estivesse acontecendo, pois a Copa mobiliza as pessoas, mas o clima do evento não pode comprometer a dinâmica de trabalho e as entregas, já que as rotinas e necessidades dos clientes seguem as mesmas”, indica a psicóloga e consultora de carreira Ana Cecília Petersen, que atua na equipe do PUCRS Carreiras.

Para a consultora, que avalia a Copa do Mundo como uma oportunidade para conciliar resultados profissionais e experiência humana, os principais cuidados na hora de organizar dinâmicas, como bolões, no ambiente de trabalho são manter o respeito às diversas opiniões, ter clareza sobre o seu papel e os limites da cultura da empresa, e conseguir equilibrar a celebração com as demandas de trabalho.

"Os bolões e confraternizações surgem como oportunidades interessantes para engajamento, pertencimento e conexão entre times. No entanto, nem todos gostam de futebol, então o desafio é integrar sem tornar a participação uma obrigação social. A cultura da empresa deve permitir que as pessoas se sintam livres para participar ou não, respeitando diferenças de opinião e torcida”, completa Ana Cecília.