As manchetes dos jornais de Senegal um dia após a desclassificação na prorrogação para a Bélgica não pouparam críticas. Em especial para o técnico Pape Thiaw. "Gestão dos Leões na Copa do Mundo de 2026: Pape Thiaw, o técnico perdedor", escreveu o Le Quotidien. Já o principal jornal do país, o Le Soleil, publicou na manchete "Coachmardesque", que em livre tradução do francês significa algo como "técnico pesadelo".
Já a Agência Senegalesa de Notícias (APS) publicou texto com a decepção dos torcedores ainda nas arquibancadas e saída do estádio de Seattle. “É decepcionante, temos uma equipe com muita energia e muito talento. Acho que nosso coletivo não esteve à altura da tarefa”, observa Mouhamed Tandian em entrevista a APS.
Thiaw lamentou a derrota na prorrogação e destacou que o time recuou muito no segundo tempo, o que abriu a possibilidade da virada dos belgas. "Estávamos vencendo por 2 a 0, então recuamos no final da partida porque queríamos proteger nossa vantagem. Depois que eles fizeram 2 a 1, recuamos ainda mais e eles marcaram o segundo gol. Não foi fácil. Tentamos motivar a equipe, dar-lhes energia, mas infelizmente não foi suficiente”, analisou Pape Thiaw.
Em relação às mudanças no decorrer da partida da segunda fase da Copa, o treinador acredita que alguns jogadores estavam cansados e precisaram ser substituídos. “É claro que, quando se perde uma partida depois de estar vencendo por 2 a 0, as pessoas inevitavelmente falam sobre as substituições. Mas não se pode reduzir tudo a isso. Essas mudanças foram ditadas principalmente pelo cansaço, mais do que por considerações táticas”, afirmou o técnico.
Vaga para a Copa e confusão
Thiaw foi o técnico da seleção senegalesa de futebol que venceu o Campeonato das Nações Africanas de 2022, com uma equipe formada só por jogadores que atuam no país, como manda o regulamento. Dois anos depois, assumiu a seleção principal e obteve, em 2025, a vaga para a Copa do Mundo.
Durante a final do Campeonato Africano das Nações de 2025, Pape instou seus jogadores a saírem de campo em protesto depois que o árbitro marcou um pênalti a favor da seleção marroquina de futebol nos acréscimos, o que resultou em um processo disciplinar contra ele após a partida. Ele recebeu uma suspensão por cinco jogos e a uma multa de 100 mil dólares por “conduta antidesportiva” e por “manchar a reputação do esporte” pela Confederação Africana de Futebol.
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