Cyle Larin, de 31 anos, viveu um momento mágico na estreia da seleção do Canadá na Copa do Mundo 2026, em Toronto, na noite de sexta-feira, ao sair do banco de reservas e marcar o gol de empate na partida contra a Bósnia. Na comemoração, o experiente jogador correu em direção a torcida que ocupava praticamente todos os lugares do tímido estádio canadense, que comporta pouco mais de 43 mil torcedores.
Durante a corrida, Larin fechou os dois ouvidos com os dedos. Nada contra a torcida, que explodia na festa do primeiro gol, mas tudo contra os jornalistas que diziam que ele não merecia vestir a camisa vermelha. O jogador do Southampton, da segunda divisão inglesa, reforçou na saída de campos que o gesto era para os críticos.
“Esse gol é para os fãs e para os repórteres e os jornalistas que dizem que eu não deveria estar na seleção”, disse o jogador, natural da cidade vizinha de Brampton, Ontário. “Mas eu sempre provei que eles estavam errados. E fiz isso de novo. Tomara que agora eles calem a boca".
Com o tento, Larin soma 31 gols em 91 jogos pela seleção canadense, que ocupa a 30ª posição no ranking da FIFA, mas havia balançado as redes apenas uma vez em seus últimos 17 jogos como titular antes da partida de sexta-feira.
“Ele vai entrar para a história como um dos maiores jogadores canadenses de todos os tempos”, disse o zagueiro Alistair Johnston. “Às vezes, acho que ele não recebe o respeito que merece. Ele é um jogador realmente bom, e marcar aquele gol na frente da família, em casa, na Copa do Mundo… é um gol muito, muito especial. Estamos todos muito felizes por ele”, completou Johnston.
Depois de começar a carreira nos Estados Unidos, voltar a atuar no Canadá, ele foi escolhido no draft de 2015 da MLS e passou a jogar pelo Orlando City, onde marcou mais de 40 gols em 89 partidas. O bom desempenho chamou a atenção do Besiktas, da Turquia. Na sequência, foi emprestado Zulte Waregem, da Bélgica. Retornou ao clube turco, em 2021.
Larin ainda passou pelo Club Brugge, da Bélgica, Valladolid e Mallorca, da Espanha, onde marcou 14 gols em 76 confrontos. Na primeira metade da temporada 2025/2026, teve dificuldades e fez um gol em 15 partidas. Atualmente, no Southampton recuperou o faro do gol ao fazer nove gols em 22 jogos.
Antes da Copa do Mundo o técnico Jesse Marsch teve uma conversa com Larin sobre a possibilidade de ele ser retirado do time titular antes do anúncio da escalação. Ele entendeu a situação e não reclamou. Pelo menos, até marcar o gol.
“Larin teve um ótimo ano no Southampton, seja como titular ou entrando no decorrer da partida. Você teve impacto em todos os jogos e agora precisa assimilar isso (a reserva). Ele estava pronto”, disse Marsch para Larin.