Copa do Mundo

México abre terceira Copa do Mundo em meio a protestos

Manifestações marcam a abertura do mundial de 2026, com bloqueios e forte esquema de segurança no entorno do Estádio Azteca

Professores e familiares de desaparecidos foram às ruas no primeiro dia de Copa
Professores e familiares de desaparecidos foram às ruas no primeiro dia de Copa Foto : Marco Antonio Martinez / AFP

A Copa do Mundo de 2026 começou nesta quinta-feira no México, acompanhando com atenção os protestos de diversos grupos que prometiam o caos para impulsionar suas reivindicações. Os torcedores começaram a chegar seis horas antes, devido à previsão de bloqueios nos acessos ao estádio, que estavam cercados por centenas de militares e policiais com equipamento tático, incluindo esquadrões a cavalo.

A Fan Fest na praça Zócalo finalmente foi inaugurada, mas as barreiras metálicas instaladas para protegê-la desde a semana passada foram parcialmente removidas e impediram o acesso tranquilo dos torcedores. Consequência: caos e empurra-empurra.

“Levamos uma hora para entrar, foi um caos, e sair foi ainda pior”, disse Víctor Gómez, de 49 anos, à AFP. Ele e sua companheira, Miriam Corona, decidiram não assistir ao jogo no estádio. “Pode haver até mortos. Lá dentro, não dá nem para andar, nem ver nada, só conseguimos ver a última telinha.”

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, não compareceu ao Azteca, como previsto, nem à Fan Fest. Ela publicou na rede social X uma foto na qual apareceu em um centro esportivo em uma área popular da capital, vestindo a camisa da seleção de seu país. Sheinbaum deu seu ingresso a uma jovem jogadora.

Protestantes aproveitam holofotes

“Boicote à Copa do Mundo Fifa 2026!”, dizia uma enorme faixa no caminho para o Estádio Azteca, onde, há 40 anos, Diego Maradona marcou seu polêmico gol com “a mão de Deus” nas quartas de final entre Argentina e Inglaterra (2 a 1). Em diferentes partes da zona sul da Cidade do México, manifestantes de diversos grupos sociais, principalmente familiares de desaparecidos e professores em greve, tomaram as ruas, aproveitando a atenção do restante do mundo no país.

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Os ativistas começaram a se reunir logo cedo com a intenção de se aproximarem do Estádio Azteca, mas no caminho encontraram forte presença policial que os manteve afastados do local, sem, contudo, impedir a chegada dos torcedores. Professores do ensino fundamental e médio vêm há mais de uma semana reivindicando melhorias salariais e de aposentadoria.

Eles rejeitaram a proposta mais recente do governo em uma reunião na noite de quarta-feira. “Esta partida é uma distração, só serve à Fifa, à Claudia Sheinbaum e aos Estados Unidos”, afirmou um professor grevista, sob condição de anonimato.

Sheinbaum afirma que os protestos são uma “provocação” para que haja imagens de repressão durante a Copa, e assegura que não cairá na armadilha.

Além das manifestações, o problema dos vistos para entrada nos Estados Unidos também impacta o primeiro dia do torneio. O Comitê Nacional de Torcedores da Costa do Marfim (CNSE, na sigla em francês) denunciou nesta quinta-feira que a seleção não poderá contar com a presença de seus torcedores na Copa do Mundo, uma vez que não conseguiram obter vistos americanos.