O juiz apita o início da partida e o coração já começa a palpitar mais forte. Basta um gol anulado, pênalti não marcado ou aquela bola que insiste em não entrar para que a ansiedade atinga níveis ainda maiores. Seja em meio à Copa do Mundo ou a uma partida do seu time do coração, o torcedor vive altos e baixos envolvendo estresse, adrenalina e ansiedade, impactando as emoções, a saúde mental e o funcionamento do organismo.
A médica psiquiatra Renata Heine Françozo, que atua na rede Hapvida, explica que, dependendo do quão importante a pessoa considera essa “paixão”, maior a chance do próprio cérebro não conseguir interpretar a diferença entre ansiedade e um risco real. “Dependendo desse fanatismo, o cérebro não sabe se a pessoa está sofrendo um assalto, sendo perseguida por um leão ou preocupada com alguém que vai bater um pênalti. Por isso, ele aciona um sistema que temos que se chama ‘luta ou fuga’”, disse a especialista.
Ela reforça que esse sistema faz com que todo o corpo entre em estado de alerta. Entre os reflexos, está na explosão de hormônios no organismo, como endorfina, cortisol e adrenalina. “Isso vai aumentando a pressão arterial, fazendo a pessoa sentir falta de ar, sensação de sufocamento, como se estivesse de fato correndo uma maratona, e não apenas assistindo a um jogo. Em um gol, por exemplo, pode ocorrer uma inundação de dopamina, gerando prazer”, completou.
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Mesmo assim, ela alerta que essas alterações podem sobrecarregar pessoas que já possuem transtornos de ansiedade ou outras condições. “A pessoa vai ficar mais em alerta, podendo seguir assim por dois ou três dias, dependendo do resultado do jogo. Isso pode causar momentos de crise”, considerou. Para ela, uma das alternativas para reduzir esse impacto sem fazer o torcedor abandonar sua paixão é promover momentos de intervalo durante a partida.
“Quando a pessoa sentir que está sofrendo muito, uma opção é fazer o corpo entender que este não é um risco real, para que não se tenha um aumento de pressão ou um impacto tão grande. A pessoa pode fazer algumas pausas durante o jogo, buscar água e respirar mais fundo. Mas sabemos que é algo difícil, ainda mais quando tem paixão envolvida”, indicou a psiquiatra.
Implementada durante a atual edição da Copa do Mundo, a pausa para hidratação, momento em que a partida é interrompida para descanso dos atletas e orientações técnicas, também pode ajudar os torcedores fanáticos em momentos de ansiedade, considerou a médica. “Dá para fazer uma pausa também do estresse. É uma ótima oportunidade para retornar a pressão arterial normal, beber uma água e respirar. É preciso dizer para o cérebro que eles não está no meio de uma guerra, mas sim sentado no sofá assistindo a um jogo de futebol”, concluiu.