A decisão da Fifa de revogar a suspensão de um jogo imposta ao atacante americano Folarin Balogun provocou uma onda de indignação no mundo do futebol e na esfera política, após a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no caso.
A confederação europeia de futebol criticou duramente a medida nesta segunda-feira, ao considerar que a Fifa cruzou ‘uma linha vermelha’.
"O futebol, assim como qualquer outro esporte, é baseado em regras que constituem o fundamento de uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras estão sujeitas a interpretações. Esse não é, de forma alguma, o caso aqui. Quando a segurança jurídica das regras deixa de ser garantida por quem deve zelar por elas, a integridade do esporte fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada. Além disso, tal decisão abre um precedente para o torneio em curso, no qual situações semelhantes deverão agora ser tratadas de forma idêntica, em detrimento da competição”, reagiu a Uefa em comunicado.
Sepp Blatter: 'Onde você está indo, Fifa?'
Sepp Blatter, que foi presidente da Fifa por 17 anos até ser obrigado a renunciar em 2015 após vários escândalos, criticou seu sucessor, Gianni Infantino, e questionou os rumos da instituição que rege o futebol mundial. "Se um presidente dos Estados Unidos intervém com o presidente da Fifa e um jogador é subitamente absolvido antes de um jogo eliminatório de Copa do Mundo, a questão é inevitável: Onde você está indo, Fifa?”.
União Europeia também critica
O comissário de Esportes da União Europeia, Glen Micallef, se pronunciou nesta segunda-feira e declarou que as decisões esportivas cabem às instituições esportivas, não aos políticos. “Exercer uma influência sobre decisões esportivas comprometeria a autonomia do esporte”, alertou o membro do executivo europeu responsável pelos assuntos esportivos em uma publicação no X.
O novo presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Giovanni Malagò, descreveu a situação como 'absurda' na emissora Rai Radio 1 e expressou preocupação com o precedente que esse caso poderia abrir. “É inútil procurar desculpas, essa decisão tem um claro viés político. O New York Times também escreveu isso. Objetivamente, é um precedente extremamente perigoso, um precedente político extremamente perigoso”, avaliou Malagò.
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Medida 'incompreensível' para a Bélgica
Na Bélgica, país que enfrentará os Estados Unidos nas oitavas de final e o mais prejudicado pela liberação de Balogun, as primeiras reações políticas surgiram no domingo, horas após o anúncio da Fifa. O ministro das Relações Exteriores, Maxime Prévot, se uniu ao coro de indignação nesta segunda-feira, descrevendo a medida como 'incompreensível'.
"Se um telefonema é, de fato, o que explica essa decisão incompreensível, isso constituiria uma violação das regras mais básicas do futebol e do esporte.Seria algo muito grave. Como a Fifa poderia defender o jogo limpo com credibilidade?”, questionou o ministro em comunicado divulgado por sua assessoria de comunicação.
Política fora do campo de jogo
Também houve críticas vindas da Alemanha. A secretária de Estado de Esportes, Christiane Schenderlein, disse à AFP que 'a política não tem lugar no campo de jogo'. 'As decisões de arbitragem dependem do esporte', acrescentou Schenderlein, afirmando que 'o governo alemão respeita a autonomia do esporte'.