Copa do Mundo

Rumo a 2030: Pesquisa indica fim de era para Neymar e cobra reformulação na CBF

Maioria do público crê que ciclo do atacante com a Amarelinha acabo

No centro do debate está o futuro de Neymar na Seleção
No centro do debate está o futuro de Neymar na Seleção Foto : ANGELA WEISS / AFP

Com o início de um novo ciclo de 1.419 dias até a Copa de 2030, o torcedor brasileiro questiona os rumos da Seleção após a pior campanha desde 1990, encerrada com a eliminação para a Noruega nas oitavas de final. No centro do debate está o futuro de Neymar na Amarelinha.

A última rodada do estudo Eu Vi o Brasil - O país do futebol?, realizado pela agência IMO Insights, mostra que 46% dos pesquisados consideram finalizado o ciclo do camisa 10. Na contramão, 36% defendem a permanência do atleta de 34 anos — que terá 38 em 2030 —, enquanto 18% não opinaram.

Desgaste e desejo por renovação

Apesar da divisão, a imagem do atacante sofreu um impacto sensível. Para 67% dos entrevistados, a saída de Neymar abre espaço para uma renovação necessária até 2030 (14% discordam e 18% são neutros). Segundo Simona Karen Miranda, diretora de Operações da IMO, o jogador perdeu seis pontos em preferência em relação ao período pré-Copa, liderando com folga o indicador de atleta menos querido.

"Os números sugerem que a discussão deixou de ser apenas técnica e passou a refletir um desejo de mudança de ciclo por parte de uma parcela significativa dos brasileiros", explicou Simona.

Prejudicado por lesões no ciclo, Neymar chegou ao Mundial com uma lesão na panturrilha direita e atuou por apenas 55 minutos nos Estados Unidos — 15 contra a Escócia e 40 diante da Noruega, quando marcou de pênalti.

Caso não volte a vestir a camisa do Brasil, ele se despede com 80 gols em 130 jogos oficiais pela Fifa, superando Pelé (77 gols) no topo da artilharia histórica, além dos títulos da Copa das Confederações (2013) e do ouro olímpico (2016). Com contrato no Santos até o fim do ano, o atleta é incentivado a seguir na carreira por seu pai e empresário, que publicou uma carta aberta pedindo sua continuidade.

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Cobrança por reformulação na CBF

Mais do que a saída do camisa 10, a pesquisa aponta que o torcedor exige uma transformação na CBF. Após um ciclo marcado por instabilidades políticas na presidência e quatro trocas de técnico (Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti), 86% dos entrevistados afirmam que a entidade precisa de "mudanças profundas para o Brasil voltar a ser potência". Além disso, 72% apontam que falhas de gestão contribuíram para a queda precoce.

No entanto, ao avaliar o estopim da eliminação em si, apenas 14% responsabilizaram diretamente a CBF. O público preferiu focar no desempenho dos atletas (30%), nas escolhas de Ancelotti (20%) e na convocação (19%), enquanto só 6% atribuíram a queda aos méritos da Noruega.

Para a diretora da IMO, prevalece no país uma visão baseada na nostalgia e no peso da camisa. "Embora 70% reconheçam que o Brasil perdeu protagonismo, ainda prevalece a percepção de que o problema esteve na forma como a Seleção jogou esta Copa, e não em uma perda definitiva de capacidade de revelar talentos ou disputar títulos", concluiu Simona.