Copa do Mundo

Torcida argentina engole chuva e derrota, mas não se abala com resultado da Copa do Mundo

Brasileiros e descendentes de espanhóis também foram torcer nos bares do Centro de Porto Alegre

Bares do Centro de Porto Alegre concentraram torcida argentina
Bares do Centro de Porto Alegre concentraram torcida argentina Foto : Mauro Schaefer / Especial / CP

Garra e esperança que dá e sobra. Foi assim que a torcida encarou, abaixo de chuva, a final da Copa do Mundo, no Centro de Porto Alegre. Os hermanos ensinaram na prática que, mesmo na derrota, deve-se continuar celebrando. Embalados pelos hinos da Albiceleste e muito fernet, os amigos argentinos Mauro Gimenez, 26, de Catamarca, e Facundo Portal, 29, de Buenos Aires, foram prova viva disso.

A dupla se conheceu em Porto Alegre, secando a Suíça nas quartas de final, e foram os protagonistas da “hinchada argentina” do Listo Bar, na rua Fernando Machado. Do início ao final do jogo, eram eles quem puxavam as canções e não deixavam a torcida murchar – algo difícil de acontecer quando se trata dos torcedores argentinos.

Aos 10 minutos do segundo tempo de prorrogação, quando Ferran Torres já tinha salvo a Espanha dos pênaltis, os “hermanos” ainda acreditavam e gritavam “vai Messi” enquanto se agarravam na bandeira da seleção. Depois do apito final, Mauro, ainda mantendo a alegria no rosto junto dos amigos explicou que estava um pouco triste, mas conformado com o resultado.

“A gente ganhou o último jogo contra a Inglaterra, que é como uma inimigo nosso. Depois de vencer esse jogo estávamos satisfeitos. A Espanha jogou bem hoje e nós fizemos o que podíamos. A gente teve um jogador a menos. Se ganhássemos, seria a sobremesa”, destacou Mauro.

A paixão pelo camisa 10 é tão grande que foi eternizada em uma tatuagem na panturrilha. A história começou durante a concentração da Argentina antes da final da Copa América de 2021, contra o Brasil. No vestiário, os jogadores brincaram de adivinhar qual carta seria tirada do baralho. Quem acertasse prometia tatuar a imagem caso a Argentina fosse campeã. Messi acabou acertando o cinco de copas, e o grupo interpretou aquilo como um sinal de sorte. A carta então foi escolhida para estampar na pele o amor de Mauro pela sua nação.

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Meio gaúcho meio espanhol

Do lado da torcida campeã, o clima era mais contido. A torcida foi formada por uma fusão de torcedores da Seleção Brasileira e descendentes de espanhóis. Para a família espanhola Soler, o título representou a ancestralidade da família, que leva o sobrenome do avô. O filho Chai Soler, 10, o pai Emerson Dal Bello, 46, e a mãe Fernanda Moraes, 46 acertaram o placar de 1 a 0 e caíram em lágrimas com o título.

Torcida espanhola fez contagem regressiva antes do apito final | Foto: Mauro Schaefer / Especial / CP

“Estou muito feliz, é uma realização não só porque a Espanha ganhou, mas porque a Argentina perdeu. Eu sou brasileiro, eu amo meu país, mas nessa situação, a gente vai na ascendência. A minha ascendência é espanhola, então a gente está junto e a gente é campeão. O sentimento é de alívio, muito alívio”, comemorou Emerson.

Em meio a abraços, sorrisos escancarados e muito alívio, o público puxou "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” em meio à festa espanhola.

*Com supervisão de Carlos Corrêa