Esportes

Dirigentes veem "lado bom" do lixo na Baía de Guanabara

A dois anos das Olimpíadas, autoridades minimizam reclamação de atletas sobre poluição

Restos de móveis e até um cachorro morto atrapalhem velejadores
Restos de móveis e até um cachorro morto atrapalhem velejadores Foto : Yasuyoshi Chiba / AFP / CP
A dois anos do início dos Jogos, o clima já é de Olimpíada na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Está em andamento o Aquece Rio, primeiro evento-teste do Rio-2016 (único dos 45 previstos no calendário que será realizado até o fim do ano), reunindo todos os principais nomes da vela no mundo. Em terra, a avaliação é positiva: logística, espaço, serviço de alimentação, equipe de funcionários e voluntários, todos estão sendo aprovados. O problema ainda está dentro d’água: a poluição da Baía de Guanabara.

• Matéria do New York Times alerta para sujeira da Baía de Guanabara

Enquanto aguarda uma resolução sobre o problema, o diretor de esportes do Comitê Organizador, Rodrigo Garcia, vê um aspecto positivo. “O lixo tem dois lados. É ruim, mas também ajuda os atletas a ver onde está a corrente. Tem atleta que já está treinando no Rio há um ano, e eles dizem que melhorou muito de um ano para cá”, argumenta. Velejadoras designadas pela organização para falar do assunto também demonstram otimismo. “Atrapalha mesmo, mas esta tem sido uma semana de esperança. A água ficou mais limpa”, conta Renata Decnop.

Na semana anterior à competição, muitos atletas haviam reclamado muito do lixo no local. O bicampeão olímpico Torben Grael, atual chefe da equipe brasileira, chegou a afirmar que os resíduos podem interferir no resultado das regatas olímpicas. Sacos de lixo, restos de móveis e até um cachorro morto se tornaram obstáculos.

Para tentar contornar o problema, a organização usa como solução pontual um ecoboat, embarcação que recolhe os objetos na área de competição. A longo prazo, espera a conclusão da obra de despoluição da baía, de responsabilidade do governo estadual. A meta é ter 80% do esgoto tratado até 2016. No momento, são pouco mais de 40%. Quando o Rio foi nomeado, em 2009, eram cerca de 18%.

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