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Em crise, Inter e Grêmio protagonizam o Gre-Nal dos Esfarrapados no Beira-Rio

Ambos os times estão em crise técnica, precisando do resultado no clássico de número 448, válido pelo Brasileirão

Inter e Grêmio tem muito a perder no Gre-Nal 448
Inter e Grêmio tem muito a perder no Gre-Nal 448 Foto : RICARDO DUARTE / INTER / CP

Um dia depois da maior efeméride dos gaúchos, o 20 de setembro, quando o Rio Grande do Sul exalta os feitos dos Farrapos, o Beira-Rio será palco de uma versão bem menos heroica da tradição local: o Gre-Nal 448, o Gre-Nal dos Esfarrapados. Neste domingo, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, Inter e Grêmio se enfrentam carregando nas costas não bandeiras de glória, mas uma coleção de más atuações, resultados escassos e críticas cada vez mais ruidosas de todos os lados. Quem perder, sairá ainda mais lanhado, enquanto o vencedor poderá sonhar com uma recuperação na reta final da temporada.

Se outrora o clássico representava a disputa pela supremacia do futebol gaúcho, neste fim de semana ele vale muito mais pela sobrevivência. Tanto Inter quanto Grêmio protagonizam um ano marcado pelos tropeços e por campanhas decepcionantes. A instabilidade é tamanha que os treinadores Roger Machado e Mano Menezes vão a campo tão pressionados quanto os jogadores: qualquer derrota pode significar o ponto final da trajetória no cargo de ambos.

Mais do que isso: quem perder corre o risco de se aproximar perigosamente da zona de rebaixamento, um fantasma que volta a rondar os dois clubes. Em um campeonato de pontos corridos, em que cada tropeço pesa, um Gre-Nal pode ser divisor de águas — para o bem ou para o mal. A famosa gangorra parece estar quebrada.

No lado colorado, a torcida perdeu a paciência com a irregularidade do time e com um sistema defensivo que já não transmite a segurança de outros tempos. No Grêmio, o calvário não é menor: a dificuldade de marcar gols e a sequência de atuações apáticas colocam em xeque não apenas o comando técnico, mas a confiança do grupo inteiro.

Mas há diferenças. O Inter tem uma base de time montada há mais tempo. E, apesar de haver chance de novidades, inclusive no esquema (ele pode apostar em um 3-5-2, com Mercado atuando entre os zagueiros), Roger não tem um trunfo novo para lançar mão neste momento. Na verdade, ele perdeu peças que foram importantes no próprio clássico em um passado não tão distante, como Enner Valencia, Fernando e Wesley.

Durante a semana, o diretor técnico D’Alessandro garantiu Roger no cargo até o Gre-Nal, mas evitou prever além daí. “Vamos fazer de tudo, até o limite, para que o Roger dê certo novamente”, afirmou o ex-jogador. Ou seja, em caso de derrota neste domingo, o Inter deverá ir ao mercado atrás de um substituto.

No Grêmio, ocorreu parecido. Na quarta-feira, antes das comemorações pelos 122 anos do clube, o presidente Alberto Guerra garantiu a permanência de Mano Menezes até o final da temporada. Claro que, como diria o poeta, “o futebol é dinâmico”, mas a disposição do dirigente não deixa de ser surpreendente quando cotejada com os resultados do time em campo.

Alheio a isso, o técnico deve promover a estreia de Willian e contará com as presenças Marcos Rocha e Carlos Vinicius, que chegaram a ser dúvidas.

Enfim, no dia seguinte às comemorações farroupilhas, o Rio Grande terá um espetáculo que dialoga menos com o heroísmo da história e mais com o desespero do presente. O Gre-Nal 448 já nasce com uma alcunha ingrata: é o Gre-Nal dos Esfarrapados, o duelo em que perder pode ser a maior vergonha, e vencer significa apenas uma sobrevida.

| Foto: ARTE: LEANDRO MACIEL

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