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Exemplo de superação, Alan Ruschel pode conquistar o quarto título depois da tragédia da Chapecoense

Um dos poucos sobreviventes da queda do avião na Colômbia, em 2016, lateral é um dos símbolos do atual time do Juventude

Alan Ruschel pode ficar marcado na história como capitão do bicampeonato do Juventude
Alan Ruschel pode ficar marcado na história como capitão do bicampeonato do Juventude Foto : Fernando Alves /ECJuventude / CP


Até novembro de 2016 a carreira de Alan Ruschel não era muito diferente da maioria dos jogadores do futebol brasileiro. Se não é fácil passar no final das categorias de base para o profissional, é muito difícil também fincar raiz em um clube. É natural vestir várias camisas e rodar pelo país afora. Naquele ano, porém não só a carreira, mas a vida do lateral-esquerdo mudou para sempre. Oito anos depois da tragédia com o avião da Chapeconse, ele pode ficar eternizado também no Juventude, onde tudo começou.

"Eu, o Ramiro, o Alex Telles a gente era mais novo e ele sempre ajudou quem vinha da base passando confiança para os guris. Deu todo o suporte para a gente sempre desde o início", recorda Bressan, hoje no Nantong Zhiyun, da China. Nas categorias de base do Ju, uma turma foi montada, criou e fortaleceu uma amizade intocável com o passar do tempo. Hoje, os guris do Jaconi ganharam o mundo, cada um fazendo o seu percurso, mas com algo em comum: a origem na Serra gaúcha, a identificação com o Juventude e o fortalecimento de laços pessoais.

"Eu e o Alan temos uma amizade de muitos anos. Depois que a vida deu uma reviravolta. Depois de ter dado uma oportunidade de jogar futebol após aquela tragédia, ele é um cara exemplo de superação. Ele tem nove parafusos na coluna. É um cara que está todo o dia se reinventando e se reconstruindo", atesta Follmann, ele assim como Alan, um dos sobreviventes do voo 2933 da LaMia que caiu com a delegação da Chapecoense vitimando 71 pessoas, em 2016.

Sobreviventes da tragédia de 2016, Follmann e Alan Ruschel tem amizade desde a base do Juventude | Foto: Arquivo Pessoal

É nesse ponto que a carreira de Alan Ruschel, hoje com 34 anos, se torna completamente diferente da de qualquer outro jogador. Follmann, por exemplo, perdeu uma das pernas e interrompeu o sonho de ser goleiro ainda jovem. Neto, outro dos "heróis de Medellín", chegou a voltar a jogar, mas não por muito tempo. Essa sorte sorriu apenas para Alan. Na Chape sagrou-se campeão catarinense em 2017 e 2020, mesmo ano em que conquistou também a Série B, competição que voltou a disputar no ano passado quando retornou para nova passagem no Juventude. Neste sábado outro momento histórico está ao alcance dele e do clube.

"Sem sobra de dúvida ele está na melhor fase da carreira. E pessoalmente também. Foi pai há poucos dias do Pedro. Ele está construindo uma história bonita depois do acidente", diz o ex-goleiro, que não nega a torcida pelo amigo: "A gente se ama, é irmão. É muito prazeroso ver ele nesse momento da vida. Está escrevendo ainda mais a história dele no futebol. Tenho um respeito e admiração muito grande mesmo. Como pai, como amigo, como marido e por isso torço muito por ele.”

"Jogando uma final de Gauchão, tenho certeza que para ele seria muito especial levantar esse título histórico para o clube. Merece tudo que está acontecendo”, afirma o zagueiro Bressan, amigo de Alan Ruschel desde as categorias de base do Juventude

De longe na China, Bressan também estará na torcida pelo parceiro de vestiário, churrasco, risadas e rodas de violão quando ainda piás em Caxias do Sul. Ou até hoje quando o calendário do futebol permite uma turma histórica se reencontrar para colocar o assunto em dia. "Uma pessoa notal mil, um baita de um jogador. Estou muito feliz pelo momento dele pelo momento que está passando, de ter voltado para o Juventude liderado o time como capitão na volta à Série A. E agora, jogando uma final de Gauchão, tenho certeza que para ele seria muito especial levantar esse título histórico para o clube. Merece tudo que está acontecendo", encerra Bressan.

O único título gaúcho da história do Juventude foi conquistado em 1998 quando Alan, Ramiro, Alex, Bressan, Follmann, entre outros eram ainda crianças e sequer sonhavam um dia receber uma chance de profissionalmente. Alan teve duas.

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