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Fifa multa Federação Israelense por discriminação

Entidade máxima do futebol mundial aplica sanção milionária por "violações graves e reiteradas" no combate a atitudes racistas e mensagens politizadas

Decisão da Fifa, detalhada em 40 páginas, enumera uma série de comportamentos racistas no futebol israelense
Decisão da Fifa, detalhada em 40 páginas, enumera uma série de comportamentos racistas no futebol israelense Foto : David Salazar / AFP

O Comitê Disciplinar da Fifa multou na quinta-feira (19) a Associação Israelense de Futebol (IFA) em 150.000 francos suíços (cerca de R$ 997.000 na cotação atual). A sanção foi aplicada por "violações graves e reiteradas" de suas obrigações no combate à discriminação.

A entidade israelense "deixou de adotar medidas concretas e transparentes contra comportamentos discriminatórios", explicou a Fifa em um comunicado. Isso incluiu atitudes racistas de torcedores do Beitar Jerusalém e a tolerância a mensagens politizadas e militaristas em contextos futebolísticos.

A decisão da Fifa, detalhada em 40 páginas, enumera uma série de comportamentos racistas no futebol israelense. Eles variam de cânticos referentes à pureza racial nas arquibancadas do Beitar a insultos dirigidos a jogadores árabes.

Mensagens "militaristas" publicadas nas redes sociais por dirigentes de ligas profissionais e do Maccabi Netanya também foram citadas. A Fifa considerou que as multas impostas pela IFA ao Beitar foram insuficientemente específicas, não vinculadas a incidentes racistas.

Foi constatado que a IFA "não fez nenhuma declaração pública condenando o racismo", nem lançou campanhas para combater a discriminação. A federação também não adotou medidas para promover a inclusão de jogadores árabes ou palestinos.

A Associação Israelense de Futebol deve pagar dois terços da multa no prazo de 30 dias. O restante será investido na implementação de um plano abrangente contra a discriminação.

Além disso, em suas próximas três partidas internacionais disputadas em casa, Israel deve exibir uma faixa grande e visível. Ela terá os dizeres "O futebol une o mundo - Não à discriminação", acrescentou a Fifa.

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"Embora isso constitua um passo na direção certa, as conclusões não respondem plenamente à magnitude e à gravidade das violações observadas no pedido", reagiu no Facebook a Federação Palestina.

As acusações da Federação Palestina chegavam à incitação ao genocídio, demonstrando a seriedade da situação.

Ao mesmo tempo, a Fifa decidiu "não tomar nenhuma medida" em relação aos clubes israelenses estabelecidos em assentamentos ilegais na Cisjordânia. Isso rejeitou um pedido palestino que estava pendente há dois anos.

O pedido palestino contava com o apoio de diversos especialistas das Nações Unidas.

A entidade máxima do futebol mundial optou por "não tomar nenhuma medida" sobre os assentamentos. A justificativa é que "o status jurídico final da Cisjordânia é uma questão não resolvida e extremamente complexa sob o direito internacional público".

A Fifa deve continuar a promover o diálogo e oferecer mediação entre as federações de futebol israelense e palestina, acrescentou o texto. (AFP)