Se em 2012 o Corinthians atravessou o planeta para conquistar o inédito título mundial contra o Chelsea, 14 anos depois é a vez do time feminino buscar o feito. E curiosamente contra o rival do adversário em Yokohama. Neste domingo, As Brabas encaram o Arsenal na decisão da primeira edição de um mundial feminino. O desafio, porém é até maior, pois o duelo, além de ser contra o favorito, é na casa das inglesas, o Estádio Emirates, do Arsenal, em Londres. A CazéTV transmitirá ao vivo, às 15h a decisão que envolve cifras muito mais modestas do que as da equipe de Tite, uma década atrás.
Isso porque a Fifa vai pagar apenas 2,3 milhões de dólares (cerca de R$ 12,17 milhões na cotação atual) para a equipe campeã do torneio. Embora um valor milionário, é ínfimo quando comparado com o prêmio dado ao campeão masculino no último ano. A diferença é expressiva.
Em 2025, quando o Chelsea derrotou o Paris Saint-Germain e se tornou campeão da primeira edição da Copa do Mundo de Clubes, nos Estados Unidos, a equipe inglesa levou para casa 40 milhões de dólares, cerca de R$ 223 milhões na cotação atual. A campanha completa ainda totalizou cerca de 115,2 milhões de dólares. Ou seja, convertendo, foi cerca de 640,5 milhões de reais, quase meio bilhão de diferença entre homens e mulheres.
Quando o investimento é mais robusto
Para a jornalista e integrante do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Esportivo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Natalia Silva, a Copa do Mundo de Clubes é uma conquista importante para o futebol feminino. A modalidade ainda carece de um calendário mais robusto e que valorize o trabalho que as mulheres vêm feito em todo o mundo. Além disso, considerando que em pouco mais de um ano a Copa do Mundo de seleções será no Brasil, o que o Corinthians faz é mostrar para todos que também é possível construir um trabalho bem feito.
“Elas sempre jogaram futebol, sempre brilharam. O que faltava era investimento com continuidade e o Mundial de Clubes que acontece agora pode ser um sinal de tempos melhores para todos nós”, destaca Natalia.
Para a estudiosa, o futebol feminino no Brasil ainda precisa de mais investimento. Segundo ela, o sucesso do Corinthians no cenário local e internacional deveria mostrar aos outros clubes que não dá para ter uma equipe de mulheres só para cumprir uma regra de participação no campeonato masculino.
O que fez diferença para o time chegar até um mundial?
A mentalidade das "Brabas" é um dos fatores que levaram o time paulista à final. Elas são conhecidas, pelo histórico em competições internacionais, por responderem positivamente em torneios de "tiro curto" como a Copa dos Campeões Feminina da FIFA. Além disso, fora de campo, o clube vê também o impacto do investimento dar retorno.
"O Corinthians é muito constante no trabalho com o feminino, na estrutura principalmente. Ele nunca deu passo atrás, nunca diminuiu orçamento e se manteve constante. Acho que refletiu em todas as conquistas que tivemos. Isso serve de legado e espelho para todos os clubes. É necessário investimento e organização para se ter um time vencedor.", explica Nicole Ramos, goleira do Timão.
Ex-jogadora do Inter disputará a final pelo Corinthians
Belén Aquino, que está entre as relacionadas para o confronto contra o Arsenal, completará seus 24 anos neste domingo, justamente no dia da grande final.
Aquino chegou ao Inter em janeiro de 2023 e, desde então, acumulou 12 gols. A meio-campista também finalizou a temporada marcando o gol que deu o título inédito da Ladies Cup ao Internacional.
A primeira vez que a uruguaia vestiu o manto alvinegro foi na última quarta-feira, quando o Corinthians venceu o Gotham FC por 1 a 0 e garantiu a vaga na final da Copa dos Campeões Feminina da FIFA 2026.
*Com supervisão de João Paulo Fontoura