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Flamengo contraria 'dogma' da Dupla Gre-Nal na formação da atual geração vitoriosa

Série de títulos do Rubro-Negro carioca iniciada em 2019 mostra a força das categorias de base do clube muito mais no mercado do que nas escalações das equipes campeãs

Flamengo derrotou o Barcelona no último dia 23 na final do Mundial Sub-20
Flamengo derrotou o Barcelona no último dia 23 na final do Mundial Sub-20 Foto : Gilvan de Souza/Flamengo


'Craque o Flamengo faz em casa'. A frase consagrada nos anos 1980 na Gávea pode ser atualizada da seguinte forma: 'Craque o Flamengo faz em casa. E vende'. Uma das marcas do clube mais vitorioso do Brasil nos últimos tempos, embora valorize as crias da casa, atualmente pode ser lida de uma outra maneira. E que vai de encontro a uma espécie de 'dogma' histórico tanto de Grêmio quanto de Inter.

O ponto de partida desta mudança de paradigma no Rubro-Negro se dá dois anos antes do começo da série de títulos em curso. Em maio de 2017 o Flamengo vendeu Vinícius Júnior para o Real Madrid por cerca de R$ 150 milhões.

| Foto: Leandro Maciel

Corta para 2019. A emblemática temporada encerrada com as conquistas do Brasileirão e da Libertadores revela a primeira pista de um novo modelo de gestão do futebol vermelho e preto, de certa forma, na contramão da própria história do clube carioca. O time cantado em prosa e verso sob a batuta de Jorge Jesus não tinha nenhum jogador formado na base.

Time campeão Brasilierão e Libertadores 2019: nenhum da base

Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão (Vitinho), Gerson (Diego), Éverton Ribeiro, Arrascaeta, Bruno Henrique; Gabigol. Técnico: Jorge Jesus

O processo se repetiu desde então. Entre 2019 e 2025 entraram nos cofres do Flamengo cerca de R$ 1,2 bilhão com vendas diretas de atletas e outros R$ 80 milhões em negociações de revendas quando um valor percentual permanece com o clube.

Paquetá, por exemplo, rendeu ainda depois da venda quando trocou duas vezes de endereço na Europa. Neste meio tempo, dentre outras taças, foram outra Libertadores, um Brasileiro e duas Copas do Brasil.

Time campeão Brasilierão 2020: um titular e dois reserva da base
Hugo; Isla (Matheuzinho), Gustavo Henrique, Rodrigo Caio e Filipe Luís; Diego (João Gomes), Gerson, Everton Ribeiro e Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol (Pedro). Técnico: Rogério Ceni.

Time campeão da Libertadores 2022: um reserva da base

Santos; Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís (Ayrton Lucas); Thiago Maia (Arturo Vidal), João Gomes, Everton Ribeiro e Arrascaeta (Victor Hugo); Gabigol (Everton Cebolinha) e Pedro. Técnico: Dorival Jr.

Time campeão da Copa do Brasil 2022: nenhum titular e dois reservas
Santos; Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís; Thiago Maia (Fabrício Bruno), Vidal (Matheuzinho), Everton Ribeiro e Arrascaeta (Victor Hugo); Gabigol e Pedro (Everton Cebolinha) Técnico: Dorival Jr.

Time campeão da Copa do Brasil 2024: dois titulares da base

Rossi; Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira (David Luiz) e Alex Sandro; Pulgar, Evertton Araújo e Arrascaeta (Fabrício Bruno); Gerson, Michael (Plata) e Gabigol (Bruno Henrique). Filipe Luís

Nomes como Vini Jr, Lucas Paquetá, Reinier e João Gomes, todos eles passando de três dígitos na calculadora, turvam a imagem de que apenas 'craques' são de fato vendidos. Não é assim. O volume de negócios, e talvez a base para investimentos em grandes jogadores como aconteceu na janela do meio de 2025 com as contratações de Samuel Lino e Saúl, se dá na venda de nomes bem menos conhecidos. E que nem sempre vingam.

Basta fazer uma lista e talvez até o flamenguista periga não lembrar de todos: Caio Roque, Yuri César, Bill, Max Alves e até um nigeriano chamado Shola são exemplos de bons negócios não necessariamente de bons jogadores.

No time atual treinado por Filipe Luís, apenas Samuel Lino é formado na base flamenguista. Ele é um caso peculiar, pois até estrear recentemente quando voltou da Espanha, jamais havia jogado pelo profissional, pois a carreira era toda na Europa.

Escalação atual: um titular e um reserva da base
Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho, Saúl e Arrascaeta (Luiz Araújo); Plata (Everton Cebolinha), Samuel Lino (Wallace Yan) e Bruno Henrique (Pedro). Técnico: Filipe Luís.

Grêmio e Inter quando conquistaram os maiores títulos de suas histórias sempre tiverem a presença forte de jogadores 'crias da casa', mas o cenário atual das equipes de Roger Machado e Mano Menezes não vai nesse sentido.

Da equipe eliminada pelo Flamengo, apenas Ricardo Mathias passou pela base do Inter. O Grêmio, após as contratações da janela no máximo terá Alysson beliscando uma vaga entre os titulares onde Arthur será o único titular.

Ou seja, as categorias de base precisam aumentar a fornada para oferecer melhores alternativas ao profissional. Senão para os treinadores, para os dirigentes. Assim como faz o Flamengo.

Ah, no último dia 23 o Flamengo sagrou-se bicampeão Mundial Sub-20 ao derrotar, no Maracanã, o Barcelona nos pênaltis. Um dos heróis do título foi o atacante Lorran. Pois ele acaba de ser emprestado por uma temporada para o Pisa, da Itália por R$ 3,2 milhões. Não se fala em SAF no Clube de Regatas do Flamengo.

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