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Futebol feminino de Grêmio e Inter tenta acompanhar o crescimento da modalidade

Dirigentes da Dupla Gre-Nal valorizam os passos recentes e apostam na Copa do Mundo de 2027 no Brasil para novas conquistas

Dois meses depois da reapresentação, Gurias Gremistas têm o primeiro desafio do ano
Dois meses depois da reapresentação, Gurias Gremistas têm o primeiro desafio do ano Foto : LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA / CP

*Victória Rodrigues e Ana Nazario

Há pouco tempo atrás não era possível imaginar uma mulher apitando uma partida de futebol no mesmo nível que os homens. Muito menos narrando confrontos na TV. O avanço do futebol feminino no Brasil e vem dando passos importantes, mas já é possível ver mudanças consideráveis na modalidade.

Pioneira no futebol feminino gaúcho, Marianita Nascimento sabe bem como driblar preconceitos dentro e fora das quatro linhas. Hoje diretora do departamento de futebol feminino no Grêmio, ela integrou o primeiro time de mulheres do clube na década de 1970, quando o futebol de mulheres ainda era proibido no Brasil.

Marianita lutou pela legalização da modalidade e precisou durante sua caminhada vencer as dificuldades impostas pelo machismo para conseguir ser vista e ouvida. Depois de retornar para o clube a convite do presidente Alberto Guerra, pôde liderar o grupo em seu momento de maior ascensão. Na última temporada, o Grêmio conquistou o Campeonato Gaúcho e a Ladies Cup, além da sexta posição no Campeonato Brasileiro.

“Foi uma mudança muito forte, muito grande, principalmente quando a gente vem para a Ulbra treinar. Com esse complexo a gente tem a possibilidade de fisicamente a gente ter um local onde existam as necessidades para gente poder fazer a competição em alto nível”, comentou a diretora.

Mundial Feminino no Brasil

A conquista vai ao encontro da visibilidade que a modalidade vem conquistando nos últimos anos no Brasil. A maior delas é o país sediar a Copa do Mundo Feminina em 2027. Para Luiza Parreira, gerente de futebol feminino do Inter, o palco do torneio ser verde e amarelo é essencial para a constante valorização do cenário.

“É importante também para que os clubes possam contribuir ao máximo desde já com a Seleção Brasileira, na Copa do Mundo, mas, principalmente, para que esteja consolidado perante os torcedores e a sociedade no momento pós-Copa, para que possamos ter um legado positivo para a modalidade, com cada vez mais meninas tendo a oportunidade de jogar e se tornar uma atleta profissional”, destaca Luiza.

O investimento para o Mundial reflete nos clubes brasileiros. Com o Beira-Rio sendo sede de um dos jogos do torneio, os olhos se voltam ainda mais para o Estado, o que aumenta o investimento na modalidade e, também, a competitividade.

“O crescimento do futebol feminino é um movimento orgânico e a nível nacional, o que tem proporcionado uma evolução anual, já com resultados esportivos e iniciando um resultado financeiro. Assim, os clubes investem mais em estrutura, em qualificação de seus profissionais, na contratação e formação de atletas, tornando a atividade mais profissional, tornando a modalidade mais valorizada”, aponta Luiza.

Inter busca manter o crescimento do departamento feminino | Foto: Filipe Maciel/Internacional/CP

Com a Copa nos estádios do RS, os olhos das atletas brilham ainda mais para integrarem os clubes daqui. O que não acontecia há pouco tempo, visto que o eixo paulista e carioca sempre teve maior destaque.

“O futebol é brasileiro. Não estou dizendo que não seja dos outros países, mas é uma coisa que é nossa. Então, no exato momento que essas atletas veem os clubes investindo mais, que a gente tem uma condição de desenvolver esse esporte, além de saberem que elas vão estar jogando no país que vai sediar a Copa, isso é um atrativo muito forte e faz com que elas desejem estar aqui”, diz Marianita.

A ex-atleta entende que, quando se fala da transformação do futebol feminino no Brasil, apesar de estar longe do ideal, existe um caminho a ser traçado. Hoje, o Grêmio feminino é liderado por mulheres, desde a direção até o comando do time nas quatro linhas e, apesar de ser um passo enorme, não foi visto com bons olhos em um primeiro momento.

“Quando montamos isso tudo, o pessoal ficou meio ‘assim’. A gente ouvia que tínhamos feito o clube da Luluzinha, mas é onde as mulheres têm que estar. Porque eu sei tudo que a gente enfrentou há 40 anos atrás para a liberação do futebol feminino. A gente sabe qual foi a dor, a gente sabe o que passou. E eu acho que são essas mulheres, que em algum momento tiveram o envolvimento com o futebol que tem que estar aí”, afirma.

Ainda há muito o que andar, mas os primeiros passos têm sido dados. No entanto, o mais importante para que a valorização persista é o investimento. “É ruim dizer isso, eu sei que o Grêmio já evoluiu, muitos clubes no Brasil já evoluíram, mas ainda está muito distante do ideal”, completa Marianita.

Enquanto o futebol masculino tem investimentos milionários, as mulheres precisam brigar para ter melhores condições de treinamentos, por exemplo. Ou até mesmo para ter preparadores físicos específicos.

“Se a gente tivesse hoje o investimento do masculino, aí eu poderia dizer que já estamos em um patamar melhor. Quanto tempo vai levar para acontecer isso? Não sei, nem sei se vai acontecer. Mas eu acho que o desafio maior é a gente fazer com que a gente tem e cada vez podendo ir mais e mais”, conclui a dirigente gremista.

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