A tarde de 9 de agosto de 2015 ficaria marcada para sempre na história do futebol gaúcho. Massacre. Chocolate. Histórico. Foi assim que o Correio do Povo descreveu, há 10 anos, a goleada de 5 a 0 aplicada pelo Grêmio sobre o Inter logo após o fim da partida. Precisamente uma década depois, neste sábado, o resultado segue sendo o maior placar de um Gre-Nal desde 1938.
No dia seguinte, com uma foto de Edinho, Luan, Giuliano, Geromel e Erazo comemorando junto à torcida gremista na Arena, a capa do CP destacava o fato histórico: "Grêmio implacável faz 5 a 0 com muita facilidade". Na contracapa, o jornal resumiu: "Grêmio humilha o Inter".
O ‘Gre-Nal dos 5 a 0’, como ficou conhecido o clássico 407, reverberaria por temporadas nos gramados do Rio Grande do Sul. Grêmio e Inter chegaram em momentos distintos à rodada 17 daquele campeonato brasileiro. O Colorado havia recém sido eliminado para o Tigres, do México, na semifinal de uma Libertadores em que poderia enfrentar o River Plate (ARG) na final. Enquanto o Tricolor amargava 15 anos sem títulos de expressão que seriam traduzidos em valsa no ano seguinte.
Agora, é o Inter que está na iminência de fechar 15 temporadas sem grandes conquistas, enquanto o Grêmio enfileirou títulos importantes após aquela tarde de sol na Arena: a Copa do Brasil em 2016, a Libertadores de 2017 e a Recopa Sulamericana em 2018.
Roger Machado, que comandou o Grêmio há 10 anos, é hoje técnico do Inter e tem seu emprego ameaçado após sequência de maus resultados, atuações e eliminação da Libertadores. O 5 a 0 foi seu primeiro Grenal como treinador.
Foi dia dos pais em 9 de agosto de 2015 e pais e filhos que torciam para clubes diferentes puderam acompanhar o clássico no estádio, visto que o setor da Torcida Mista ainda era uma realidade.
Giuliano, Luan, Luan, Fernandinho e Réver (contra)
No futebol, há placares que destoam do desempenho das equipes e do jogo praticado em campo. Não foi o caso. O árbitro Dewson Fernando Freitas da Silva marcou um pênalti para o Grêmio logo aos 11 minutos do primeiro tempo, após o goleiro Alisson, hoje do Liverpool e da Seleção Brasil, derrubar o ex-Colorado Giuliano dentro da área. O camisa 10 Douglas desperdiçou a cobrança.
O Tricolor não se abateu e continuou acumulando chances até abrir o placar com o próprio Giuliano no minuto 35. Aos 42, Luan ampliou. O camisa 7 marcaria novamente logo aos 3 minutos da segunda etapa. O resultado foi sacramentado com Fernandinho e com gol contra do zagueiro Réver, ex-Grêmio.
O Tricolor foi a campo com Marcelo Grohe; Galhardo, Geromel, Erazo e Marcelo Oliveira; Edinho, Maicon, Giuliano, Douglas (Maxi Rodríguez) e Luan (Bobô); Pedro Rocha (Fernandinho).
Já o Colorado escalou Alisson; William, Réver, Juan e Ernando; Rodrigo Dourado, Wellington, Sasha, Anderson (Alex) e Valdívia (Vitinho); Lisandro Lopez (Nilton). O técnico era Odair Hellmann, que assumiu após a demissão de Diego Aguirre três dias antes do clássico.