Grêmio

Ex-dirigente do futebol feminino do Grêmio reclama de mudanças no departamento

Marianita Nascimento e Karina Balestra deixaram o clube após uma reestruturação no setor

Dupla assumiu o cargo no final de 2023
Dupla assumiu o cargo no final de 2023 Foto : Guilherme Testa/Grêmio FBPA/CP

Após vencer a eleição para presidir o Grêmio, a posse de Odorico Roman e do vice de futebol Antonio Dutra Jr. no Grêmio, no final de 2025, veio acompanhada de reestruturações em diferentes áreas do clube, inclusive no futebol feminino. O departamento passou por mudanças importantes para a temporada de 2026. Entre as surpresas, os desligamentos da diretora Marianita Nascimento e da diretora adjunta Karina Balestra, na última semana de dezembro.

O anúncio, feito através do perfil das profissionais nas redes sociais, surpreendeu porque, até então, não havia nenhum sinal de uma possível saída da dupla vinda da nova diretoria. Uma das precursoras do futebol feminino no Estado e capitã da primeira equipe gremista na década de 1980, Marianita era um nome de confiança do ex-presidente Alberto Guerra. Assumiu a diretoria da modalidade no final de 2023, com o objetivo de restabelecer a identidade e a memória do departamento. Também com uma história no clube, Karina retornou ao Tricolor com a mesma missão.

A saída, no entanto, não foi tão amigável quanto pode parecer. Mesmo depois da posse de Odorico, houve uma confirmação da permanência de ambas, algo que só mudou semanas depois, sem um encontro formal. O aviso aconteceu por telefone e sem nenhum motivo específico. No caso de Marianita, o cargo de Diretora de Relações Institucionais foi oferecido e rejeitado por ela por não envolver tomada de decisões e de escolhas para o futebol feminino do Grêmio. Na prática, perderia poder em relação ao que fazia.

“Quem conhece a minha história sabe que jamais aceitaria um cargo inferior. Não teria poder de decisão, seria quase como um fantoche lá dentro e isso para mim não dá. Estar presente sem poder decidir é a mesma coisa que oferecer uma caneta e não poder escrever, muito menos escolher as ações, no momento que me tiram isso, não vejo por quê estar no Grêmio”, explica.

O clube alega que o que houve foi uma mudança estrutural, na qual Marianita foi inclusive convidada a participar. “Houve permanente diálogo antes e depois da eleição com a antiga diretora do feminino, Marianita Nascimento. Inclusive houve o convite para que ela permanecesse, adaptando-se à nova estrutura organizacional do departamento. Ela optou por sair neste momento, o que em nada diminui a admiração e a gratidão pelo seu legado ao futebol feminino do Grêmio e brasileiro”, afirma o clube, via assessoria de imprensa.

O desligamento de Karina Balestra seguiu o mesmo padrão. Neste caso, a passagem da ex-jogadora pelo Inter, em meados de 2003, teria desagradado a diretoria gremista e influenciado no afastamento. O motivo, no entanto, não foi explicitado diretamente por nenhum dos diretores a ela, que ficou sabendo por terceiros. Depois disso, entrou em contato com dirigentes, mas não obteve mais retorno.

“Eles poderiam ter dado qualquer outro motivo, menos esse. Eu sou profissional. Joguei no Inter, no Corinthians, na Ferroviária, isso não me torna menos capaz de exercer minha função. Podiam ter dito que eu cobrava demais pelo futebol feminino, por exemplo, e diretamente a mim, seria mais corajoso”, afirma Karina.

Questionada sobre a questão, a direção afirma que “o Grêmio não comenta sobre desligamento de qualquer colaborador, apenas garante que todos sempre são tratados com máximo respeito”, diz o clube. Os dirigentes também rechaçam outra informação, de que havia a possibilidade de trocar o centro de treinamentos no Complexo Esportivo da Ulbra para a RGM Academy, espaço em Gravataí voltado para a preparação de goleiros e que dispõe de gramado sintético: “O Centro de Treinamento Feminino do Grêmio permanece no Complexo Esportivo da Ulbra, em Canoas. No local, os treinamentos do elenco profissional e de base são realizados em campos de grama natural”.

Sobre um eventual retorno ao Grêmio nesta gestão, Marianita não descarta a possibilidade, mas, ao mesmo tempo, reafirma que voltaria apenas para um cargo de decisão, principalmente pelo seu peso na história do clube. “Não conseguiria responder de uma forma tão clara (sobre o retorno). Eu entreguei muita coisa para o Grêmio e acho que as coisas não precisavam ter sido feitas dessa maneira, sem diálogo. Foram escolhas, é um direito deles e têm que ser vividas. Quando o Grêmio precisar de mim, vou avaliar o que desejam e se está dentro daquilo que eu possa e deseje fazer”, aponta.

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