Que o Grêmio vive uma situação financeira complicada não é novidade nenhuma para ninguém. Mas essa realidade ficou ainda mais escancarada com o balanço financeiro do primeiro trimestre divulgado, nesta quarta-feira, no site oficial do clube. Nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2026, os primeiros da gestão chefiada por Odorico Roman, o Tricolor registrou um déficit de R$ 124 milhões.
Parte desse saldo negativo é oriundo de oito rescisões contratuais (o goleiro Tiago Volpi, os zagueiros Jemerson e Rodrigo Ely e os meio-campistas Cuéllar, Mila, Carballo, Edenilson e Cristaldo) efetuadas no início do ano. Embora esses valores serão pagos ao longo de três anos, para efeitos contábeis, eles entraram no balanço dos primeiros três meses de 2026.
Além das rescisões, contam para o déficit outros valores de operações relacionadas a contratações. Na primeira janela de transferências, por exemplo, o Grêmio gastou R$ 110,5 milhões para contratar quatro jogadores: Leonel Pérez, Juan Nardoni, Enamorado e Tetê − Weverton e Caio Paulista vieram sem custos. Outro dado que entra nessa conta são as luvas contratuais de atletas que chegaram ainda em 2025.
A partir desses números preocupantes, a Comissão de Assuntos Financeiros do Conselho Deliberativo do Tricolor apresentou parecer sobre o tema na reunião do Conselho Deliberativo, que aconteceu na noite da última quinta-feira. Na mensagem, destacou a necessidade de mudança na política de investimentos no futebol.
É mais um indicativo de que o Grêmio terá uma postura diferente na próxima janela de transferências, que abre no dia 20 de julho. Embora tenha carências no elenco, como lateral-direito e meia-armador, o clube vai aproveitar oportunidades de mercado para trazer reforços a Luís Castro. Negócios que não precisarão envolver muito dinheiro (ou quase nenhum), além de focar em mais saídas para enxugar a folha salarial.