Na noite de 20 de abril, estreia no Brasileirão contra o Atlético-PR, logo após outra atuação apática, o mandatário gremista decidiu que era a hora de mudar. Sairiam os três. Mesmo que apenas três dias antes do embate com o San Lorenzo, fora de casa. "Ele estava decidido, mas acabou mudando de ideia. Estava bem mais predisposto a trocar naquele dia do que na quarta-feira", destaca um dirigente. Na manhã seguinte, no Olímpico, poucas horas antes do embarque para Buenos Aires, Koff comunicou os dois integrantes do departamento de futebol sobre a alteração. Anunciaria publicamente pouco depois, em uma coletiva. No entanto, mudou. Manteve Enderson, Rui e Chitolina.
Koff estava e está sem alternativas. O mercado não apresenta opções. Tite, o sonho presidencial, procurado diretamente, caminha para comandar o Brasil após a Copa do Mundo. Celso Roth, nome preferido do mandatário para iniciar 2014 na casamata, assumiu o Coritiba. As demais alternativas não agradam. Em grande parte, por isso a manutenção da atual estrutura.
Na Arena, logo após a queda nos pênaltis, em uma reunião que avançou durante a madrugada, o presidente já falava para o trio que não iria efetuar mudanças, o que foi confirmado ontem à tarde, após a ida de Koff ao vestiário. Uma última chance para a remobilização do grupo em busca de um grande título no segundo semestre. "Ele falou uma coisa que gostamos muito, veio dar a cara a bater junto conosco. Eu tenho muita convicção no trabalho do Enderson", destacou Rui Costa.
O caso lembra muito o de Celso Roth em 2008, antes da estreia no Campeonato Brasileiro. Depois da eliminação na segunda fase da Copa do Brasil para o Atlético-GO e no Gauchão para o Juventude, o treinador entrou muito pressionado na primeira rodada do São Paulo, no Morumbi. Era notório que, em caso de derrota, estava fora. Acabou surpreendendo, vencendo por 1 a 0, e levou o Grêmio a uma arrancada histórica na competição.
Enderson vive situação idêntica. Vai à Vila Belmiro, encarar o Santos, amanhã, com o cargo a perigo. Uma derrota pode resultar na sua saída junto com os homens de futebol. Caso seja demitido, o treinador não irá sozinho. Com mais alguns dias, Koff também ganha tempo para pensar em alguma alternativa e tentar encontrar alguma solução no mercado para o caso de um insucesso longe de Porto Alegre.
Se conseguir repetir o sucesso de Roth e liderar o Grêmio para uma arrancada no Brasileirão antes da Copa do Mundo, o atual comandante permanece no seu cargo e ganha fôlego. Caso contrário, Koff mexerá em todo o futebol. Tudo passa primeiro pela Vila Belmiro. Será preciso buscar um resultado positivo de cada vez.