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Campeão pelo Grêmio sonha receber medalha do título de 1996, relembra o começo no Remo e lamenta a ira de uma ex-mulher

Comparado a histórico camisa 10 do Santos aos anos 1990, Rogério teve passagem rápida pelo Olímpico onde admite ter se intimidado com o vestiário comandado por Felipão

Rogério estava no grupo campeão brasileiro pelo Grêmio de 1996
Rogério estava no grupo campeão brasileiro pelo Grêmio de 1996 Foto : Acervo Grêmio FBPA | CP

Kenneth Anderson, Gheorghe Hagi, Giovanni e Rogério. É preciso viajar no tempo para encontrar conexão entre o atacante da Suécia, o meia da Romênia, ambos da Copa de 1994, o ex-camisa 10 do do Santos, do Barcelona e da Seleção Brasileira e um campeão brasileiro pelo Grêmio.

O ano era 1996 quando Rogério Belém, como foi apelidado por Muricy Ramalho depois no São Paulo, trocou a capital do Pará pela capital do Rio Grande do Sul. Agora, 30 anos depois, quando o tricolor gaúcho e o Remo vão se enfrentar pela segunda vez na história no norte do país, é possível contar essa história.

Naquela época, o paraense Giovanni, usando o icônico número de Pelé no Santos, era um dos maiores craques em atividade no futebol nacional. Pelo estilo de jogo e certamente pela origem, quando chegou ao Grêmio, Rogério foi comparado ao conterrâneo.

"O Giovanni tinha mais classe. O Rogério era tipo maestro e que dominava as saídas de bola. Tinha mais força e a força até de certo modo o atrapalhou", recorda Magno Fernandes, repórter da Rádio Clube do Pará. Hoje, aos 51 anos de idade e em busca de uma nova oportunidade no futebol, seja no campo ou na gestão, o ex-meia formado nas categorias de base do Leão Azul recorda a comparação.

"A torcida falava também pelas características parecidas com as dele, mas o Giovanni era um cracaço. Ele era mais velho do que eu e era muito reservado também", conta Rogério, que explica como a carreira ganhou um novo rumo naquele momento. "O Valmir Louruz, amigo do Felipão, era o treinador da Tuna Luso na final do Paraense. Eu me destaquei no campeonato com vários prêmios e fiz o gol do título. Certamente eles se falaram", completa.

Rogério foi contratado por empréstimo ao Remo por R$ 30 mil | Foto: CP Memória

A hipótese se confirma pelo outro lado. Não foi apenas com o amigo que Felipão procurou informações. "Lembro de conversar com outros conhecidos e indicar sua contratação para o Grêmio. Como todos os jogadores daquele grupo, o Rogério teve sua parcela de contribuição na conquista do bicampeonato e é uma boa surpresa ouvir falar nele e saber que estará em Belém acompanhando o Grêmio”, celebra o atual coordenador técnico gremista.

A vinda do jogador de 21 anos de idade para Porto Alegre se deu por empréstimo ao custo de R$ 30 mil e aconteceu logo após o estadual de 1996. Olhando para o passado ele admite ter sentido dificuldades depois de atravessar o país. E não foi pelo clima.

"Era um tempo que não tinha muita gente para te ajudar. Era só o Sr Verardi (Superintendente de futebol do clube falecido em 2019) . Eu coloco um pouco de culpa na minha timidez. Quando cheguei o time do Grêmio era fantástico. Eu via pela televisão o Mauro Galvão, o Paulo Nunes, o Carlos Miguel e aquilo mexeu comigo. Me intimidou mesmo", revela quase 30 anos depois.

Rogério entrou no segundo tempo no lugar de Zé Alcino na partida de estreia | Foto: CP Memória

No Grêmio, Rogério teve discreta passagem. Foram apenas seis jogos e nenhum gol marcado. Estava no grupo bicampeão do Campeonato Brasileiro diante da Portuguesa. Na confusão do título no estádio Olímpico, diz não ter ganho a medalha que sonha receber até hoje. Leão de coração, mas com carinho pelo Grêmio, ele prevê dificuldades no duelo da quarta-feira.

"O Remo não é um time ruim. É um time competitivo, mas que falta o último passe. Ele cria oportunidades, não marca os gols e ainda sofre bastante gols. Mas eu acredito que pode dar uma arrancada. A torcida vai apoiar!", garante.

Enquanto a partida não chega, ficam as recordações. No entanto, somente na memória. No terceiro casamento "e último", como Rogério garante, ele expõe um episódio que deu fim a praticamente todas as suas recordações.

Recortes de jornal, fotos em revista e até camisetas trocadas com outros jogadores, principalmente quando atuou no Ankaragücü, da Turquia, tudo se perdeu. Como? Em chamas provocadas pela ira da segunda esposa."Ela queimou tudo! Eu tinha as camisas do Kenneth Anderson, do Gheorghe Hagi, do Grêmio, nada eu tenho mais. Ela queimou tudo", conta entre risos e lamentações.

Rogério Belém assume o time sub-17 do Remo | Foto: Sandro Galtran/Remo/CP

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