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Inter reconquista a América em temporada de altos e baixos

Retrospectiva 2010 traz imagens históricas, áudios e a avaliação de Roberto Siegmann

O time ficou fora da final, mas a torcida fez uma grande festa. Enquanto Inter de Milão e Mazembe se enfrentavam, o som do estádio era o dos cantos colorados
O time ficou fora da final, mas a torcida fez uma grande festa. Enquanto Inter de Milão e Mazembe se enfrentavam, o som do estádio era o dos cantos colorados Foto : Ricardo Giusti


Mesmo com a decepção do fim do ano, 2010 fica marcado para a torcida colorada pela conquista do bicampeonato da Libertadores. Antes e depois da histórica madrugada de 19 de agosto, porém, muitas emoções se alternaram. Relembre agora os dias ruins, como quando Chicão, do Novo Hamburgo, e sua bomba eliminaram o time de Jorge Fossati do primeiro turno do Gauchão, ou quando a derrota por 3 a 0 para o São José colocou dúvidas sobre o destino do time na temporada. E também se emocione ao lembrar dos momentos alegres, como as vitórias de virada no Beira-Rio lotado durante a Libertadores, ou o gol salvador de Giuliano contra o Estudiantes, aos 43 do segundo tempo, na fumaceira de Quilmes, até a noite em que Pelé entregou a taça da América a Bolívar.

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No segundo semestre, obcecado pelo sonho do Bi Mundial, o time desperdiçou ao Brasileirão ao perder pontos em jogos teoricamente fáceis, como contra o Avaí e o Atlético-GO. E, em Abu Dhabi, sofreu um revés histórico na semifinal contra Kidiaba e sua turma. Entre altos e baixos, o Inter teve um bom ano. Esta é a avaliação do assessor e futuro vce-presidente de Futebol, Roberto Siegmann.

Confira como a direção colorada viu a temporada:

Queda no Gauchão


O ano começou com sotaque estrangeiro no Beira-Rio. Com o uruguaio Jorge Fossati no comando técnico aliado à base já formada de 2009, a direção esperava um time copeiro e vencedor. No começo, até foi assim. Fossati estreou no Inter na goleada sobre o Juventude por 5 a 1. Em seguida, vitória no Gre-Nal de Erechim. Mas o título do Gauchão não veio.

“A gente iniciou o Gauchão jogando três partidas com o time B. Depois, a programação do Fossati era de que todos jogassem tudo, fazendo do Gauchão um campeonato que o (time) A pudesse utilizar algumas partidas para conseguir ritmo de jogo. Tivemos três Gre-Nais e ganhamos dois, mas, infelizmente, por um ponto nós não fomos campeões. Mas a nossa participação, dentro das possibilidades e do foco na Libertadores, foi boa.”

Demissão de Fossati e contratação de Roth

Após o vice no Gauchão – perdendo a primeira final no Beira-Rio para o Grêmio – o Inter começou cambaleante no Brasileirão. Diante de sua torcida, perdeu para Cruzeiro e São Paulo. A situação de Fossati começava se tornar insustentável e, após derrota para o Vasco de virada, não teve mais jeito.

“Já havia uma discussão sobre o trabalho do Fossati, em razão do Campeonato Brasileiro, e aquele jogo (derrota para o Vasco) foi determinante. A gente precisava de um técnico que conhecesse mais o futebol brasileiro. (…) A demissão ocorreu embora a equipe estivesse bem na Libertadores e classificada. Passamos a discutir o nome de um novo técnico, que trabalhasse bastante e que utilizasse a janela da Copa para isso. E aí surgiu o nome do Celso. É um treinador que nós já conhecíamos e tem a capacidade de comandar o vestiário. Foi exatamente o que aconteceu.”

A conquista da Libertadores e o melhor momento


Quando Roth começou sua empreitada na Libertadores, o Inter embalou. Em quatro jogos, três vitórias convincentes – uma sobre o São Paulo e duas contra o Chivas, na final –, que garantiram o bi da América. Mas até então, a Libertadores foi um teste para o coração dos colorados. Na primeira fase, ainda que estivesse em um grupo fácil, o Colorado só garantiu a liderança da chave na última rodada – e com gol de Giuliano, escapou do Cruzeiro nas oitavas. No mata-mata, dois argentinos – Banfield e Estudiantes – e a classificação só veio no gol qualificado.

“No momento em que o resultado aparece, a avaliação é que fizemos a escolha certa. O time começou a apresentar uma melhor atuação. Um momento especial foi o jogo contra o Estudiantes. Foi um marco, porque o Internacional estava sendo eliminado da Libertadores e aquele gol do Giuliano faltando dois minutos para terminar a partida foi determinante para a permanência. Ali nós vimos que tínhamos que jogar além do limite das possibilidades.”

Brasileirão era “possível”, mas “relaxamento natural” pode ter impedido o título

Apesar de não levantar o troféu de campeão brasileiro há mais de 30 anos, o Inter não deu prioridade à competição nacional neste ano. Na primeira parte, ainda estava envolvido com a Libertadores. Já no segundo turno, o time optou pelo “planejamento” visando ao Mundial de Clubes e, apesar de beirar o topo da tabela várias vezes, não teve forças para chegar à liderança. Nas últimas rodadas, ainda foi ultrapassado pelo Grêmio e viu o rival, que começou o campeonato brigando contra o rebaixamento, conquistar uma vaga para a Libertadores.

“Quando se ganha um grande título, como foi a Libertadores, que aponta para o Campeonato Mundial, naturalmente há um 'relaxamento' ou uma desmobilização dos atletas. Os jogadores chegaram no seu limite físico. O Campeonato Brasileiro não era a nossa prioridade. Não que não se quisesse ganhar. A nossa prioridade, como não poderia deixar de ser, era o Campeonato Mundial. Nós poupamos jogadores que estavam num estado de exaurimento físico, com pequenas lesões ou quase chegando em um momento de lesão. Fizemos o que era possível. Acho que o Brasileirão desse ano não foi um campeonato fácil, mas possível de ser ganho. Só desistimos quando matematicamente não era mais possível ganhar o título.”

A lição do Mundial


Na última e mais desejada competição do ano, o Inter ficou muito aquém do esperado. Ao invés de brigar pelo título contra a Inter de Milão, o mais perto de uma decisão que o time de Celso Roth chegou foi contra o Seongnam, da Coreia do Sul, na briga pelo terceiro lugar. Tudo isso porque houve um Mazembe no meio do caminho. Ficou, contudo, uma lição.

“Antes de tudo, disputar o Mundial é algo extremamente gratificante. O Inter representou o continente sul-americano. Todos nós queríamos ganhar o título mundial. Lamentavelmente, naquele jogo contra o Mazembe, não foi possível e ali foi-se a nossa possibilidade. Se aquele primeiro lance do Sobis tivesse entrado, talvez o nosso resultado tivesse sido igual ao da Inter (que venceu o Mazembe por 3 a 0). Mas não entrou. Não entraram mais cinco oportunidades que criamos. Eles subiram duas vezes, fizeram dois gols e sepultaram a possibilidade do Inter ser campeão do mundo, mas isso é coisa do futebol. Só pode ser terceiro quem disputa o Campeonato Mundial. A derrota para o Mazembe deixou uma grande lição para o Inter. O grupo não jogou de salto alto e não subestimou o Mazembe. Mas, na realidade, temos que ter muito respeito pelo adversário, venha ele da África, da Ásia, de onde for.”