Bancada do Novo pede que MP investigue doação de terreno em Guaíba para o Inter
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Bancada do Novo pede que MP investigue doação de terreno em Guaíba para o Inter

Colorado nega irregularidade e lembra que projeto passou pela Assembleia Legislativa

Por
Correio do Povo

Inter afirma que valor colocado no balanço é contábil, já que clube não pode vender o CT de Guaíba


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A bancada do Partido Novo solicitou ao Ministério Público (MP/RS) uma investigação sobre a doação por parte do governo do Estado de um terreno em Guaíba onde Inter pretende construir o novo centro de treinamentos do clube. Segundo o entendimento dos deputados Fábio Ostermann e Giuseppe Riesgo, a diferença entre a proposta inicial, protocolada pelo Piratini, com um valor de R$ 16,6 milhões, e a do último balanço contábil publicado pelo Colorado, que apontava um valor de R$ 56,9 milhões, é um indício de irregularidade. O principal problema estaria nas contrapartidas que teriam valor inferior ao acordado e que traria prejuízos ao governo estadual.

O Inter descarta a possibilidade e alega que o valor é contábil, colocado no balanço por uma auditoria independente que entende que esse é o valor do terreno para o clube. Entretanto, o Colorado destaca que não é um valor de venda, pois o projeto aprovado na Assembleia Legislativa e acertado com os últimos governos do Estado, desde a administração Tarso Genro, veta a comercialização.

“Fizemos uma reavaliação dos ativos do clube e a auditoria entendeu que o terreno tem este valor para o Inter. Valor contábil, pois não podemos vender. O clube se sente perseguido pelos deputados que perderam (na votação) de uma forma democrática”, lamentou o primeiro vice-presidente do Inter, João Patrício Herrmann.

Hermann lembra ainda que o clube só poderá utilizar entre 20% e 30% do terreno, pois o restante é de área ambiental e protegida. O vice destaca que o clube não foi notificado pelo MP/RS.

Os deputados alegam ainda que a diferença entre o valor inicial do projeto e do balanço do clube traz prejuízos para o Estado. “Não encontramos justificativa plausível para essa diferença tão ampla nos valores de avaliação do imóvel. Há indícios de que a contrapartida paga pelo Inter tenha um valor inferior ao de mercado, o que gera enormes prejuízos aos cofres públicos do Estado”, afirmou Ostermann em nota.

A direção do Inter destaca que inicialmente, além dos impostos e outras obrigações contratuais, como as contrapartidas que vem sendo realizadas, pagou pelo empréstimo do terreno, algo próximo de 75 mil por mês, nos primeiros anos e que a doação só foi assinado no ano passado. “O clube está absolutamente tranquilo. Estamos buscando parceiros para fazer a construção. Quando o Inter for para Guaíba, toda a região, que antes era deserta será valorizada”, completou Hermann.

Governo do Estado destaca que análise é feita a partir de uma série de quesitos técnicos

O governo do Rio Grande do Sul divulgou nota  na tarde desta sexta-feira destacando que a avaliação do valor da área do CT foi feita pelo Departamento de Administração do Patrimônio da Secretaria Estadual de Planejamento, Orçamento e Gestão, baseada em “uma série de quesitos técnicos, seguindo as normas da ABNT, registradas no INMETRO como NBR 14653”.

O Executivo estadual ressalta ainda que laudo é público e que pode ser solicitado a qualquer momento. “A conclusão dos técnicos do governo foi de que o terreno, à época da doação, valia R$ 16,6 milhões”, diz a nota enviada ao Correio do Povo. “O governo reafirma sua absoluta segurança do processo de avaliação do valor do terreno e está à disposição para quaisquer esclarecimentos complementares”, completa o informativo.


O Ministério Público informou que recebeu o documento, que será distribuído para análise do fato.