Inter

Conselho Fiscal projeta déficit de R$ 100 milhões e aponta ressalvas às contas do Inter

Superávit de 2025 é atribuído a fatores pontuais, enquanto relatório destaca endividamento e questiona transparência

Conselho Deliberativo vai analisar as contas de 2025 em 11 de maio
Conselho Deliberativo vai analisar as contas de 2025 em 11 de maio Foto : FABIANO DO AMARAL

O balanço financeiro do Inter referente a 2025 gerou questionamentos internos após a divulgação, para os conselheiros, do parecer do Conselho Fiscal. Embora o clube tenha apresentado oficialmente um resultado positivo de R$ 8,9 milhões, a análise técnica do órgão indica que o desempenho não reflete, necessariamente, uma melhora estrutural nas finanças. De acordo com o relatório encaminhado aos conselheiros, a a realidade mostra um déficit superior a R$ 100 milhões.

O cenário acabou alterado, sobretudo, pela forma como foi contabilizada a recompra de direitos de televisão ligados à Futebol Forte União (FFU), ocorrida em fevereiro de 2025.

"Em uma análise inicial, observa-se que o Clube apresentou superávit no exercício de 2025 no montante de R$ 8.972 milhões, revertendo o déficit apurado no exercício anterior, de R$ 34.499 milhões. Contudo, sob uma perspectiva técnica mais aprofundada, constata-se que tal resultado positivo não decorre de uma reestruturação sólida da operação principal, mas sim de fatores pontuais e não recorrentes, notadamente relacionados ao tratamento contábil adotado para a recompra de participação em direitos comerciais anteriormente alienados pelo Clube no exercício de 2023", registra o documento, ao qual o CP teve acesso, em sua página 3.

O ponto central da divergência está na contabilização da recompra desses direitos. O Inter adquiriu novamente a participação por R$ 109 milhões e registrou o valor como ativo intangível. Para o Conselho Fiscal, no entanto, o procedimento deixou de refletir adequadamente o impacto econômico da operação no resultado do exercício, caracterizando uma "assimetria de tratamento contábil".

O relatório também relembra que, em 2023, quando houve a venda desses mesmos direitos, o clube registrou a operação como receita de R$ 218 milhões, o que contribuiu para um superávit histórico de R$ 170,3 milhões naquele ano.

De modo geral, o relatório do Conselho Fiscal recomendou a aprovação das contas com ressalvas, apontando três fatores principais: além da contabilização da recompra vinculada à FFU, apontou o elevado nível de endividamento e a falta de clareza na apresentação de informações no balanço e no relatório de gestão como ressalvas às contas.

A análise final do balanço será realizada pelo Conselho Deliberativo, em reunião agendada para o dia 11 de maio.

Veja Também