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Crise acelera discussões sobre futuro político do Inter

Com resultados ruins e dívida crescente, gestão Barcellos perde apoio e sucessão já movimenta bastidores

Alessandro Barcellos não pode concorrer novamente ao cargo de presidente do Inter
Alessandro Barcellos não pode concorrer novamente ao cargo de presidente do Inter Foto : RICARDO DUARTE / INTER / CP

A atual temporada sequer foi finalizada, e a eleição que definirá o próximo presidente do Inter só ocorrerá no final de 2026. Mesmo assim, de diferentes maneiras, a sucessão de Alessandro Barcellos já começou nos bastidores. Por um lado, o suporte político do atual presidente se fragiliza à medida que os resultados em campo são ruins e as promessas de organização do clube não são cumpridas. Por outro, movimentos que tradicionalmente fizeram oposição a Barcellos desde o início da gestão, em 2021, ainda não têm um projeto próprio ou um candidato definido.

A pessoas próximas, Barcellos já confessou que tem pouco ou nenhum capital político para indicar um sucessor. Também procurou diálogo com antigos caciques do clube, inclusive ex-presidentes, para, juntos, tentarem encontrar um candidato “capaz de unir o Inter”. Ele sustenta, com razão, que as disputas políticas fratricidas que dividem os colorados tiram ainda mais força do clube.

Além disso, ganham força as dissidências dentro dos quatro movimentos políticos que sustentam Barcellos há cinco anos. Desiludidos com os rumos do clube — que, dentro de campo, não conquista resultados e, fora dele, vê a dívida se aproximar de R$ 1 bilhão — muitos retiraram o apoio ao atual presidente.

Um sinal disso foi o baixo quórum da reunião do Conselho Deliberativo que aprovou a suplementação orçamentária proposta pela gestão na última segunda-feira, prevendo um aumento de gastos com o futebol. Muitos conselheiros de três movimentos que têm cargos na diretoria preferiram não comparecer, evitando votar contra a medida.

A tendência é que, se não houver uma reviravolta completa até dezembro, a gestão sofra um desembarque generalizado ao final da temporada, deixando Barcellos ainda mais isolado. Além disso, pelo menos um dos atuais vice-presidentes do Inter já colocou seu nome à disposição de seu movimento para concorrer em 2026. O agravante é que, nesse caso, ele se apresentaria como um candidato de oposição à atual gestão.

A oposição, por sua vez, também está dividida. Os movimentos que estiveram à frente do clube na época dos grandes títulos e da reforma do Beira-Rio, além de fragmentados em várias vertentes, ainda buscam um nome capaz de conquistar a simpatia dos associados e, principalmente, os votos na eleição. Também procuram um projeto que consiga superar as dificuldades financeiras do clube sem abrir mão de um futebol competitivo — tarefa complicada diante do novo contexto do futebol brasileiro, que dividiu os clubes entre os muito ricos, principalmente Flamengo e Palmeiras, as SAFs e os demais, que lutam por pouco mais do que a dignidade.

Ou seja, o futuro imediato do Inter aponta para dificuldades dentro e fora de campo. E dividido por disputas políticas, o clube terá ainda mais obstáculos.

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