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Fabinho: ‘Não farei contratações que o Inter não tenha condições de pagar"

Executivo admite necessidade de vendas, confirma busca por reforços e afirma que não fará contratações acima da capacidade financeira do clube

Fabinho Soldado reafirmou o responsabilidade na hora de trazer reforços para o Inter
Fabinho Soldado reafirmou o responsabilidade na hora de trazer reforços para o Inter Foto : Mauro Schaefer

Fabinho Soldado iniciou, em dezembro, um processo de reformulação do futebol colorado e tem consciência de que esse projeto pode ser interrompido no fim do ano, quando se encerra seu contrato e o Inter passará por eleições para definir o próximo presidente. Ainda assim, garante total dedicação até o último dia de trabalho. Também assegura que o clube buscará reforços nesta janela de transferências, embora reconheça a necessidade de negociar alguns atletas para equilibrar as finanças. Mais do que resultados imediatos, o dirigente afirma que pretende deixar um legado, criando bases para que o Inter volte a conquistar títulos no futuro. Em entrevista concedida na tarde desta quarta-feira, no CT Parque Gigante, ao Correio do Povo e à Rádio Guaíba, foi enfático ao tratar da política de contratações: "Não farei contratações que o Inter não tenha condições de pagar".

Como está o processo atual do Internacional no mercado em relação a futuras contratações e eventuais saídas?

É um prazer estar pessoalmente com vocês no nosso CT. Após a trajetória do primeiro semestre, aproveitamos esta pausa para realizar diversas reuniões com a nossa comissão técnica, com o Paulo Pezzolano e o Abel Braga, para entender o que passou em termos de resultados e o que pode ser melhorado. Identificamos pontos positivos internos que nem sempre são visíveis, mas há um longo caminho para evoluirmos. Esse caminho passa por contratações, qualificação de profissionais e melhoria da estrutura do clube. Também estamos estruturando a base para formar melhores atletas e fortalecendo o futebol feminino. Nossa demanda é grande, mas estamos entusiasmados para entregar o melhor ao Inter.

Por que o trabalho do Paulo Pezzolano não é contestado internamente ou pela torcida, mesmo com o time estando próximo da zona de rebaixamento?

A avaliação do trabalho do treinador é um processo interno conduzido por mim, pelo Abel e pela diretoria. Avaliamos o que um profissional precisa receber e o que ele consegue entregar. O Pezzolano entende muito bem a nossa realidade e a nossa ideia para o ano. Ele trabalha bem com a estrutura e com os atletas que chegam. Embora todos esperássemos resultados melhores, pretendemos ter mais consistência no segundo semestre. Sobre o mercado, sou muito claro: não farei contratações que o Inter não tenha condições de pagar. Trabalhamos com a realidade financeira, buscando jogadores que entreguem minutagem e contribuição imediata, como fizemos na primeira janela.

O Pezzolano conversa frequentemente sobre reforços? Eles se concentram mais no setor defensivo ou ofensivo?

Existe um entrosamento muito forte entre nós, o que é fundamental para qualquer empresa ou clube. O Pezzolano entende nossas limitações e o Abel Braga está extremamente ativo, "parecendo um garoto de 40 anos", participando de tudo. Inclusive, partiu do Abel a ideia de convidar o Taffarel para qualificar nossos processos técnicos. O Taffarel é um ídolo e as portas estão abertas, embora ele esteja focado na Seleção agora.

Como é possível contratar jogadores concorrendo com clubes que possuem orçamentos muito superiores ao do Inter?

Buscamos força no nosso maior patrimônio: a camisa e a história do Inter. O clube é respeitadíssimo no exterior por sua tradição e por ser um celeiro de craques como Pato, Nilmar, Sobis e Luiz Adriano. Temos grandes concorrentes financeiros que já possuem elencos montados há anos, enquanto nós estamos iniciando um processo de reconstrução com os pés no chão. A fórmula é a mesma do primeiro semestre: ser criativo para caramba e buscar oportunidades, focando em jogadores que queiram reconquistar espaço ou que não estejam sendo aproveitados em seus clubes.

O Inter pode avançar nas contratações de Lucas Lucas Fasson (zagueiro) e Gui Negão (atacante)? E quanto às saídas de jogadores?

Por respeito aos atletas, não comento especulações sobre nomes específicos que possam ser contratados. Sobre saídas, não há nada efetivo no momento, mas propostas serão analisadas. Como dirigente, quero valorizar o elenco, mas também precisamos equilibrar as contas. Existe uma necessidade de vendas no orçamento e, se chegarem propostas concretas, sentaremos com o Pezzolano e o Abel para decidir prioridades, buscando sempre manter a competitividade do time.

Existe uma meta de vendas específica para esta janela para garantir o pagamento de salários?

Temos uma meta orçamentária anual que é necessária para a sobrevivência e saúde financeira do clube. No entanto, não posso viver desesperado com isso. Meu foco é em ações tangíveis, como as contratações possíveis. As propostas de venda surgirão naturalmente e as analisaremos com calma para garantir que o Inter continue fazendo futebol de forma sustentável, mesmo em um cenário brasileiro tão difícil.

O Inter projeta dar mais minutagem a outros jovens da base, além de Allex e Benjamin?

É uma necessidade estratégica. Precisamos de jovens no profissional para que ganhem minutos, ajudem o time e se valorizem para futuras vendas. Já temos nomes como o Alex e outros do sub-20 sendo observados de perto pelo Abel e pela nossa equipe técnica da base. O objetivo é aumentar esse número de jovens no elenco principal, priorizando sempre a qualidade técnica.

Qual é o objetivo real do Inter no Brasileirão e na Copa do Brasil?

Nosso discurso é realista porque os números estão expostos. No Brasileiro, temos uma margem enorme para melhorar nossa colocação e vamos buscar isso com foco total. Já na Copa do Brasil, o Inter tem camisa e tradição em mata-matas. Não queremos vender um otimismo exagerado, mas acreditamos que é possível ganhar consistência a cada fase e sonhar com o título.

Como estão os indicadores de saúde e lesões do elenco para enfrentar o calendário apertado?

Trabalhamos com indicadores de saúde semanais e posso dizer que houve uma melhora significativa e uma redução no número de lesões em comparação ao mesmo período do ano passado. Investimos em inteligência e controle para garantir que os jogadores se recuperem mais rápido e o time se mantenha consistente.

Como você enxerga a continuidade do seu trabalho, considerando que seu contrato vence em dezembro e que há eleições para escolher um novo presidente?

Estou aqui porque me preparei tecnicamente, passando por diversas áreas como scout e gerência. Tenho um compromisso profissional e emocional muito forte com o Inter por toda a minha história como atleta campeão. Meu objetivo é deixar um legado e uma semente plantada, independentemente de eu estar aqui em janeiro ou não. Quero entregar um elenco qualificado, uma gestão de contratos organizada e uma estrutura melhor para que o clube continue evoluindo.

Fabinho, deixe uma mensagem final para os torcedores....

É hora de darmos as mãos — torcida, profissionais e diretoria — e entendermos esse propósito de reconstrução. O Inter precisa voltar a ser protagonista e disputar títulos todos os anos. Estamos trabalhando para que, no futuro, possamos olhar para trás com orgulho de termos colaborado para que este clube continue sendo gigante.

Confira a entrevista:

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