O destino quis que Giuliano entrasse para a Libertadores de 2010 com a camisa 11 vermelha. A mesma que, há quatro anos, transformou Rafael Sobis num dos símbolos da primeira conquista do Inter daquela temporada. O meia assumiu a mística e repetiu, com igual talento e poder de decisão, o papel de destaque do antecessor. Nessa quarta-feira, o clube conquistou o bicampeonato da América e o atleta se consagrou como o talismã do clube na competição. Seis gols marcaram a trajetória do jovem herói colorado.
Giuliano Victor de Paula, 20 anos, começou a carreira no Paraná Clube, em 2007. Por lá, ele se destacou como jogador revelação do Campeonato Paranaense e do Brasileirão Série B. Em dezembro do ano seguinte, o meia desembarcou em Porto Alegre para vestir as cores do Inter. No Beira-Rio, o jogador conquistou o Campeonato Gaúcho e a Copa Suruga Bank de 2009. Na mesma temporada, Giuliano atuou pela Seleção Brasileira de base Campeonato Mundial Sub-20 como camisa 10 e capitão da equipe. Foi eleito o terceiro melhor jogador da competição organizada pela Fifa. O melhor, no entanto, estava por vir.
Giuliano começa a Libertadores
Depois da virada na estreia contra o Emelec, no Beira-Rio, o Inter seguiu para Equador, onde enfrentou o Deportivo Quito pelo segundo jogo da primeira fase. Na partida, o time, então treinado por Jorge Fossati, encontrou dificuldades para bater a equipe equatoriana. Mais uma vez saiu atrás no placar. A reação não demorou e veio no fim da etapa inicial. Aos 39 minutos, Alecsandro chutou forte de fora da área. A bola explodiu na trave e sobrou para Edu. O atacante não conseguiu dominar e Giuliano aproveitou a sobra para empatar a partida.
No caminho colorado, o campeão argentino
No último jogo da primeira fase, o Inter precisava vencer a todo custo para obter a classificação. O Deportivo Quito brigava com a equipe vermelha pela liderança da chave. Pelo saldo de gols, o Colorado definiria o adversário nas oitavas de final. Se fizesse 1 a 0, pegaria o Alianza Lima.
Uma vitória por 2 a 0 colocaria o time gaúcho frente a frente com o Cruzeiro, na época dirigido por Adílson Batista. Em caso de goleada, o Banfield da Argentina aparecia como o inimigo na segunda fase. No duelo em Porto Alegre, o Inter vencia o Deportivo Quito por dois gols de diferença. Preparava-se, portanto, para um confronto contra a equipe de Minas Gerais. Giuliano entrou no lugar de Andrezinho e mudou o rumo da história. Aos 47 minutos segundo tempo, o meia dominou a bola e, da entrada da área, chutou de perna esquerda. O placar foi 3 a 0, a classificação estava garantida e um campeão argentino surgiu no caminho do Inter.
O camisa 11 "reprova" os hermanos
Com a passagem para as quartas de final, mais um argentino se apresentou como adversário do Inter: o Estudiantes de Juan Sebastian Verón. O time de Alejandro Sabella ostentava o título de campeão da Libertadores de 2009. No Beira-Rio, o primeiro confronto terminou com um triunfo colorado. Restava o segundo jogo, que foi realizado na cidade de Quilmes. Sem fazer uma boa partida, o time de Fossati tomou 2 a 0 ainda no primeiro tempo.
A salvação apareceu no apagar das luzes, quando uma fumaça entrou no gramado e Andrezinho fez um passe magistral para Giuliano. O camisa 11 recebeu a bola e bateu. O gol qualificado reprovou o Estudiantes e classificou o Inter para as semifinais.
Mais uma vez o São Paulo
A 180 minutos da final e da possibilidade de ser bicampeão da América, o Inter se preparava para dois jogos dificílimos contra o São Paulo. Em relação a 2006 ocorreu a inversão na ordem dos confrontos. O primeiro foi no Beira-Rio e o segundo e decisivo no Morumbi. Em Porto Alegre, depois de amassar o Tricolor em toda etapa inicial, o Colorado só desejava uma vitória simples.
E ela veio pelos pés de Giuliano. O garoto havia entrado no lugar de Andrezinho no segundo tempo. Aos 23 minutos, o meia de 20 anos recebeu a bola no meio da área. Ele girou em cima da marcação e bateu no canto direito de Rogério Ceni. A bola ainda bateu no pé da trave antes de morrer no fundo das redes.
O Inter chegou à final da Libertadores da América graças ao gol qualificado de Alecsandro no segundo jogo contra o São Paulo. O confronto do Morumbi foi sofrido, mas no final tudo acabou bem. Mesmo com a derrota por 2 a 1, o colorado ganhou a oportunidade de lutar pelo bicampeonato da América e carimbou a passagem para o Mundial de Clubes, em Abu Dhabi.
Chivas: o confronto final
A conquista do bicampeonato da América começou a se desenhar em Guadalajara, no México. O Inter enfrentou o Chivas e precisou se adaptar ao gramado sintético do estádio Omnilife. A dificuldade, no entanto, nem foi sentida porque o clube gaúcho se impôs aos mexicanos desde o primeiro minuto. Apesar disso, quem saiu na frente foram os donos da casa, com Bautista. Mas quem tem Giuliano, tem gol.
No segundo tempo, aos 27 minutos, Kleber fez um cruzamento precioso da esquerda e Giuliano, de cabeça, apenas cumprimentou o goleiro Luís Michel. Ali o Inter empatou e logo em seguida virou a partida, com outro gol de bola aérea. Bolívar deu números finais ao confronto.
A obra-prima e o bicampeonato
No Beira-Rio, o Chivas dificultou. Mais uma vez abriu o placar e proporcionou sofrimento à torcida colorada. Assim como em Guadalajara, a reação veio no segundo tempo. Sobis empatou a partida. Mais tarde, Leandro Damião fez o gol da virada e da tranquilidade. Giuliano, o talismã do Inter, tratou de selar a conquista do bicampeonato com uma obra-prima. O sexto gol do artilheiro vermelho na Libertadores teve a assinatura pessoal do meia, do começo ao fim.
Aos 43 minutos, o camisa 11 passou por dois marcadores e, dentro da área, na saída do goleiro, deu um “toquezinho”. A bola encobriu Luís Michel e morreu, calmamente, no fundo das redes. O brilhante Giuliano marcou um gol digno do Rei Pelé. Concluiu, com genialidade, a caminhada para o bicampeonato da Libertadores.
Giuliano se consagra como talismã do Inter na Libertadores
Meia foi artilheiro colorado no bicampeonato da América