O Inter admite internamente que possui dívidas com o empresário Delcir Sonda, mas diverge do montante cobrado nas quatro ações judiciais movidas por empresas ligadas ao investidor. Enquanto o empresário busca receber R$ 60,5 milhões, o clube sustenta que o débito é de aproximadamente R$ 33 milhões.
As cobranças estão divididas em quatro processos. Duas delas têm origem na contratação de D'Alessandro, em 2008. Na época, as empresas de Sonda participaram da operação envolvendo a chegada do meia argentino ao Beira-Rio, em uma negociação que tinha como valor inicial cerca de 3 milhões de euros por 50% dos direitos. Segundo o empresário, a obrigação financeira nunca foi quitada pelo clube.
As outras duas ações são referentes a empréstimos concedidos ao Inter em 2018, temporada em que o clube disputava seu primeiro ano após retornar à Série A do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, foram repassados R$ 10 milhões e outros R$ 2,6 milhões para reforçar o caixa colorado. Com a falta de pagamento, os valores passaram a ser cobrados judicialmente acrescidos de juros e correção monetária.
Embora o Inter não tenha se manifestado oficialmente sobre os processos, pessoas ligadas ao clube afirmam que há divergência apenas em relação ao cálculo da dívida. A versão colorada é de que o passivo total seria de R$ 33 milhões, praticamente metade do valor exigido pelas empresas de Sonda.
Informações obtidas pelo Correio do Povo indicam que, em outubro do ano passado, houve uma reunião entre representantes das duas partes para tentar encerrar o impasse. O encontro teria contado com a presença do próprio Delcir Sonda, de um executivo de suas empresas e de um advogado. Na ocasião, teria sido alcançado um entendimento em torno do pagamento dos R$ 33 milhões defendidos pelo Inter.
Apesar disso, no início deste ano o empresário decidiu ajuizar as quatro ações de cobrança. Os processos seguem em tramitação e já resultaram em determinações judiciais para localização e penhora de recursos pertencentes ao clube. Até o momento, porém, as buscas realizadas nas contas do Inter não localizaram valores relevantes que pudessem ser bloqueados para garantir a execução das dívidas.