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Inter redefine perfil do elenco e aposta em renovação anímica para 2026

Após um ano marcado por dificuldades e risco de rebaixamento, clube endurece discurso, muda política de contratação e deixa claro: só ficará quem quiser, de fato, vestir a camisa colorada

Diagnóstico é que Inter enfrentou mais problemas anímicos do que técnicos em 2025
Diagnóstico é que Inter enfrentou mais problemas anímicos do que técnicos em 2025 Foto : RICARDO DUARTE / INTER / CP

A temporada de 2026 começa a ser desenhada no Beira-Rio com um discurso firme, alinhado e que sinaliza uma mudança na forma como o Inter pretende construir o seu elenco. A afirmação feita por Fabinho Soldado, de que apenas jogadores dispostos a vestir a camisa colorada com convicção farão parte do grupo neste ano, não foi um arroubo isolado. Ao contrário, ela reflete uma diretriz clara, compartilhada pela direção e pela nova comissão técnica, e que nasce diretamente das avaliações sobre os problemas enfrentados no ano passado.

Em um cenário de restrições financeiras, mas sobretudo após uma temporada em que o clube só escapou do rebaixamento na última rodada do Campeonato Brasileiro, o Inter decidiu priorizar um novo perfil de atleta. Além dos predicados técnicos ou potencial de mercado, o aspecto anímico, a disposição para competir, reagir e assumir responsabilidades nos momentos de pressão serão fundamentais no processo de escolha dos reforços e dos jogadores que seguirão no grupo.

“O jogador que chegar aqui vai estar muito alinhado com a história do clube. Ele precisa saber onde está chegando. Precisamos fazer um ano de 2026 muito diferente e é isso que vamos fazer aqui no Inter a partir de agora”, afirmou Fabinho Soldado, ao deixar evidente que o clube não pretende repetir erros recentes. A declaração, que repete o que Abel Braga e Paulo Pezzolano já haviam dito, sintetiza a ideia de reconstrução que prioriza formar um grupo identificado, resiliente e capaz de sustentar a competitividade.

“Precisamos de jogadores que querem vencer. Pode ser um jovem que nunca venceu ou pode ser um mais experiente que já venceu e quer voltar a vencer. Tem que ter comprometimento. Não podemos mais correr riscos. Para isso, precisamos fazer algumas correções”, disse Fabinho Soldado. O recado é direto e claro, e serve tanto para quem chega quanto para quem já faz parte do elenco.

Internamente, a avaliação é de que os problemas do Inter em 2025 extrapolaram o campo técnico e tático. Pessoas que circularam pelo vestiário ao longo da temporada relatam um grupo com baixa capacidade de reação, que se abatia com facilidade diante de resultados negativos e encontrava dificuldades para retomar o controle emocional. Nos momentos mais decisivos, as lideranças não conseguiram exercer o papel esperado.

Essas deficiências anímicas acabaram sendo determinantes para que o Inter chegasse à rodada final do Brasileirão pressionado, lutando para evitar uma queda para a Série B. O discurso também indica que eventuais saídas, mesmo de jogadores importantes, serão encaradas como parte natural do processo. “O Fabinho conhece o clube e a força da torcida. Isso facilita muito”, afirmou o presidente Alessandro Barcellos, ao lembrar que o executivo, enquanto jogava, esteve no grupo que foi campeão da Libertadores e do Mundo com o Inter de Abel Braga em 2006.

Com isso, o Beira-Rio inicia 2026 com um discurso de ruptura em relação ao passado recente. A promessa é de um Inter bem mais “barato”, mas também mais consciente de suas limitações e muito mais firme diante de eventuais dificuldades.

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